Depois de uma passagem pela Indie Campers como people development specialist, Madalena Cidade Martins juntou-se em julho deste ano à Karma Network, com o desafio de delinear uma estratégia que responda aos exigentes desafios de gestão de talento com que a empresa, pela sua natureza digital, se debate.
A profissional, que acumula experiência em organizações de crescimento rápido e com uma forte cultura digital, fala-nos desta missão de consolidar a gestão de talento a nível interno e de, simultaneamente, construir uma oferta neste domínio para a Karma Network disponibilizar aos seus clientes – que enfrentam desafios idênticos de recrutamento e formação, de adaptação da estrutura da organização à mudança e de implementação de uma cultura digital.
É people business partner na Karma Network há cerca de cinco meses, por que decidiu abraçar este desafio?
Abracei o desafio de me tornar people business partner na Karma Network pela oportunidade de poder, desta forma, alavancar a área de talento de uma empresa em crescimento, com metas ambiciosas e com uma equipa diversificada, desafiante e extraordinariamente inteligente, que se procura superar e fazer sempre mais e melhor todos os dias. Identifiquei-me, de imediato, com o propósito maior da Karma de ajudar as organizações e a sociedade a captar o máximo potencial do digital para o cumprimento dos seus objetivos. Vivendo num mundo cada vez mais globalizado, esta missão torna-se quase uma questão de sobrevivência. A minha passagem por uma empresa de crescimento acelerado como a Indie Campers permitiu-me perceber, de modo muito evidente, que o digital é uma das fontes, se não o principal facilitador, desse mesmo crescimento.
O digital é um mundo em crescente expansão. O que significa também que há cada vez mais oferta para os profissionais. Quais são os vossos desafios ao nível da retenção e atração de talento?
Ao nível da retenção de talento, no atual contexto de mudança de paradigma, um dos nossos grandes desafios passa pela necessidade de formar os jovens talentos em temas atuais do digital, que não estão disponíveis nas universidades. Este é um conhecimento relativamente recente e que, na maioria das vezes, não está ainda formalizado, sendo que advém da experiência, de um trabalho de investigação e de uma boa rede de contactos e está disperso em várias fontes (formação online, meetups, conferências ou fóruns). Para além da formação, temos também o enorme desafio de motivar as nossas pessoas num mundo em permanente transformação, no qual a previsibilidade não é propriamente realidade. É urgente prepará-las para uma cultura ágil de mudança disruptiva e para modelos de negócio complexos. Atuamos como agentes de mudança e, por isso, devemos ser resilientes e flexíveis e encarar o dia a dia como se se tratasse de um jogo constante, do qual temos que ser vencedores. E é aqui que entra o desafio ao nível da atração de talento.
Procuramos mentes brilhantes, que vibrem todos os dias com as exigentes necessidades dos negócios dos nossos clientes, nem que para isso tenham que alterar as regras do jogo.
Por outras palavras, pessoas multifacetadas, verdadeiramente apaixonadas pelo digital, que sejam proativas e curiosas e tenham um espírito de aprendizagem contínua e um mindset orientado para o crescimento.
E qual a vossa estratégia?
Na Karma Network, estamos absolutamente focados em construir uma cultura digital, alicerçada no que designamos uma “can do attitude”, que estimule, através de uma postura de self-learning, a busca por conhecimento todos os dias. Neste sentido, o nosso processo de recrutamento é bastante envolvente, tendo quatro focos distintos, que estão articulados entre si e se complementam: 1) perfil pessoal (foco na personalidade e nas motivações); 2) fit cultural (foco nos valores); 3) competências técnicas (foco nas habilidades e no potencial técnico); 4) paixão pelo digital (foco no core do nosso negócio). Do ponto de vista interno, temo-nos concentrado, maioritariamente, em dois pilares: na automatização de processos, transversalmente a todas as áreas do negócio, permitindo libertar mais tempo da nossa equipa para que o possam alocar a atividades de elevado valor acrescentado para os nossos clientes internos e externos; e na sofisticação do desenvolvimento de talento interno, permitindo uma atualização, uma reconversão e uma aquisição de competências ímpares no setor digital.
Como se trabalha o lado humano das empresas no contexto completamente digital?
Na Karma Network, entendemos que a chave é desenvolver pessoas capazes de retirar o máximo potencial do digital. O nosso jogo depende de termos os melhores jogadores porque, no nosso setor, tipicamente, são eles o principal diferencial de competitividade. Para sermos vencedores, precisamos de ter ao nosso lado pessoas que estejam envolvidas e motivadas e que tenham a dose certa de energia. Esforçamo-nos todos os dias para promover este sentimento de pertença e de realização pessoal. É muito relevante para nós garantir as condições propícias a um ambiente de alta performance, uma vez que acreditamos que só assim conseguimos assegurar uma eficácia máxima e, consequentemente, os resultados de sucesso que os nossos clientes esperam de nós. De nada nos vale ter as pessoas mais talentosas connosco se não trabalharmos para um bem-estar comum.
Quais são atualmente os principais desafios da Karma Network?
A Karma Network, mais do que uma agência ou uma consultora, é propulsora digital das empresas com as quais trabalha, pelo que, internamente, sentimos uma necessidade sistemática de nos reinventar para acompanhar o ritmo vertiginoso da transformação digital e poder mostrar-lhes o caminho a seguir.
A gestão de topo das empresas, genericamente, desconhece as oportunidades concretas do digital aplicadas aos seus negócios. Já os especialistas digitais, que são quem possui o conhecimento técnico, habitualmente, não o sabe decifrar em linguagem de negócio.
Isto faz com que nem sempre seja percetível, para os decisores que verdadeiramente têm poder para desenhar a visão da organização, qual o valor acrescentado do digital, limitando a conversão deste potencial em impactos significativos nos objetivos de negócio das empresas. Neste sentido, o derradeiro desafio é aproximar estes dois grupos e eliminar a atual assimetria de conhecimento, de forma a impulsionar a transformação digital das organizações.
E como pode a área de gestão de pessoas ajudar a alcançar os objetivos estabelecidos?
Não há dúvida alguma de que as pessoas são a matéria-prima de organizações como a Karma Network. Deste modo, consideramos imprescindível apostar na construção de uma cultura digital e assegurar que dispomos de talento especializado, para que consigamos enfrentar os desafios da era profundamente tecnológica e em constante transformação em que vivemos, garantindo o futuro do nosso negócio. Além disso, toda a componente de aquisição, desenvolvimento e retenção de talento altamente qualificado é o que permitirá, em última instância, um aumento substancial do impacto das nossas equipas no negócio dos nossos clientes. Adicionalmente, o conhecimento acumulado nesta área tem-se traduzido na criação de melhores práticas de gestão do talento digital, o que alimenta a nossa oferta de transformação organizacional, algo inerente à procura incessante pela captação máxima do potencial do digital empreendida pelos nossos clientes.