Mais de 60% das pessoas que estavam desempregadas no final de 2025 permaneceram sem emprego no final do primeiro trimestre deste ano. Os dados foram divulgados esta quarta-feira, dia 13 de maio, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Segundo o INE, 61,1% dos desempregados registados no último trimestre de 2025, o equivalente a 199,3 mil pessoas, continuavam desempregados até março de 2026. Já 22,5% (73,4 mil) conseguiram arranjar emprego, enquanto 16,4% (53,6 mil) passaram para a inatividade.
Do lado das pessoas empregadas, 96,5% dos trabalhadores que tinham emprego no final de 2025 continuaram empregados no primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, 1,4% passaram para o desemprego e 2,2% para a inatividade.
No balanço global, o fluxo líquido de emprego, ou seja, a diferença entre entradas e saídas, foi negativo em 38,7 mil pessoas. Já o fluxo líquido do desemprego foi positivo em 20 mil pessoas.
Os dados do INE mostram também diferenças entre homens e mulheres no regresso ao mercado de trabalho. Entre os desempregados no final de 2025, 25,1% dos homens conseguiram emprego no trimestre seguinte, face a 20,4% das mulheres. Em sentido inverso, a passagem do desemprego para a inatividade foi mais elevada entre as mulheres (18,4%) do que entre os homens (14%).
O gabinete de estatísticas nacional destaca ainda diferenças significativas consoante a duração do desemprego. Entre os desempregados de curta duração, 27,1% conseguiram regressar ao emprego. Já entre os desempregados de longa duração, essa percentagem desceu para 14,3%.
Além disso, o INE aponta ainda para mudanças na tipologia dos vínculos laborais. Entre os trabalhadores por conta de outrem que tinham contratos a termo ou outro tipo de vínculo precário no último trimestre de 2025, 22,6% passaram a ter contratos sem termo no primeiro trimestre deste ano. Ao mesmo tempo, quase um quinto das pessoas que trabalhavam a tempo parcial transitou para trabalho a tempo completo. Estima-se que 19,8% dos trabalhadores em part-time passaram para horários completos nos primeiros três meses de 2026.
Também os jovens sem emprego, educação ou formação (os chamados NEEF) registaram melhorias. Entre os jovens dos 16 aos 34 anos nesta situação no final de 2025, 18,4% encontraram emprego no primeiro trimestre deste ano e 15% regressaram ao ensino ou formação.
Os números portugueses continuam, ainda assim, acima da média europeia no que respeita ao regresso dos desempregados ao mercado de trabalho. Dados divulgados pelo Eurostat mostram que 30,2% das pessoas desempregadas em Portugal no terceiro trimestre de 2025 conseguiram emprego no trimestre seguinte, acima da média da União Europeia, fixada nos 24,1%.
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