Os líderes empresariais estão a ser cada vez mais escrutinados dentro das próprias organizações. Segundo uma sondagem da Robert Walters, realizada após a publicação do relatório “Principais tendências de talento no recrutamento 2026”, 70% dos líderes consideram que as suas decisões são hoje analisadas de forma mais rigorosa do que há dois anos.
Já do lado dos colaboradores, 78% admitem prestar mais atenção às decisões tomadas pelas equipas de liderança, o que ajuda a explicar que quatro em cada 10 responsáveis por equipas sintam mais pressão e stress no exercício das suas funções.
O estudo indica também que 45% dos profissionais apontam temas como contratações, despedimentos ou promoções como as áreas onde existe maior atenção aos critérios utilizados e à transparência dos processos. Logo a seguir surgem as decisões associadas ao esgotamento laboral e às políticas de flexibilidade, referidas por 29% dos inquiridos.
Para David Ferreira, Country Director na Robert Walters Portugal, “os profissionais estão a prestar mais atenção às decisões de liderança porque as consequências e impactos são maiores”. “À medida que a tecnologia acelera mudanças e os papéis evoluem mais rapidamente, as pessoas procuram garantias de que as decisões são tomadas de forma ponderada e justa. Já não basta que os líderes tomem as decisões certas; agora, os membros da equipa querem saber como se chega a esses resultados.”
Este nível de escrutínio levou 30% dos líderes a alterar a forma como justificam e apresentam as suas escolhas às equipas. Contudo, “um maior escrutínio não significa que os líderes estejam a ter um desempenho fraco. Isto reflete realmente o quão visíveis e impactantes se tornaram as decisões de liderança. Os líderes enfrentam agora o desafio de tomar decisões em ambientes mais complexos, muitas vezes com informações incompletas e maiores expectativas de transparência”, afirma David Ferreira.
As tendências que estão a mudar a liderança
Recorde-se que o relatório “Principais tendências de talento no recrutamento 2026” identifica sete tendências que estão a aumentar a complexidade da tomada de decisão nas organizações em 2026 e que ajudam a explicar porque é que liderar se tornou mais exigente. A saber:
- Esgotamento laboral generalizado: sinais subtis de esgotamento laboral estão a afetar o desempenho das equipas e a obrigar os líderes a tomar decisões mais conscientes sobre carga de trabalho, flexibilidade e bem-estar;
- Sucessão nos cargos diretivos: As reformas e saídas em cargos de direção estão a acelerar discussões sobre sucessão e continuidade da liderança, pressionando as organizações a preparar decisões mais antecipadas e estratégicas;
- Sobrecarga de candidaturas devido à inteligência artificial (IA): Com mais candidatos a recorrerem à IA para preparar candidaturas, as empresas enfrentam um aumento expressivo do volume de respostas às vagas, obrigando a redesenhar processos de recrutamento e triagem;
- Inteligência emocional como competência essencial do líder: à medida que a automação ganha espaço, cresce também a valorização da capacidade dos líderes para gerir mudanças, comunicar decisões difíceis e lidar com impacto humano;
- Transparência salarial: a crescente exigência de transparência em torno das remunerações está a obrigar líderes e organizações a rever estruturas salariais e, sobretudo, a saber explicá-las;
- Normalização do ‘career cushioning’: cada vez mais profissionais estão a preparar alternativas de carreira de forma preventiva, mesmo sem intenção imediata de sair. A tendência cria novos riscos de retenção, mas também obriga as empresas a repensar estratégias de compromisso e desenvolvimento;
- Gestão de uma força laboral multigeracional: a convivência simultânea de diferentes gerações dentro das empresas está a aumentar a complexidade da gestão de equipas, desde estilos de comunicação até expectativas sobre flexibilidade, progressão e cultura organizacional.
“Em todas as tendências que estamos a observar para 2026, desde o impacto da IA no recrutamento até à importância da inteligência emocional, a credibilidade da liderança está a tornar-se um fator decisivo. As organizações que equiparem os seus líderes com ferramentas necessárias para tomar decisões equilibradas centradas nas pessoas estarão melhor posicionadas para atrair e manter o compromisso do seu talento“, conclui David Ferreira.
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