O
percurso da Zurich Portugal na transformação da gestão de pessoas esteve no centro do mais recente episódio do podcast “Pessoas & Talento”. Nuno Oliveira, Chief People & Culture Officer da Zurich Portugal, partilhou as principais decisões que sustentaram a estratégia de pessoas da seguradora e o seu impacto no negócio, numa conversa conduzida por Cristina Martins de Barros, Fundadora do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos e Diretora Editorial da RHmagazine.
Na Zurich Portugal, a centralidade das pessoas deixou de ser apenas um princípio orientador para passar a integrar a estratégia. “Definimos, desde há três, quatro anos, como uma das grandes cinco ambições do ponto de vista estratégico, se não mesmo a primeira, sermos reconhecidos como um empregador topo.” Essa decisão teve impacto “não só para a nossa função, mas também o leque de oportunidades que se abre, no sentido da necessidade de acelerarmos todo um conjunto de transformações”, explicou.
O alinhamento da liderança executiva foi decisivo para essa mudança. “Foi este reconhecimento, acima de tudo, por parte de toda a equipa executiva, que também promoveu uma maior orientação para aquilo que muitas vezes se apregoa, mas nem sempre se vive na prática, que é as pessoas serem o maior ativo.” Para Nuno Oliveira, “temos que começar por ser reconhecidos pelas próprias pessoas, mas não nos podemos limitar à nossa própria realidade. Temos que ir além de fronteiras”.
A estratégia passou a assentar num modelo estruturado de proposta de valor ao colaborador, organizado em cinco pilares (compensação, benefícios, carreira, ambiente e cultura) e revisto anualmente, com uma aposta crescente em dados. “Estamos cada vez mais data driven.”
Compensação revista à luz das necessidades reais
Essa abordagem traduziu-se em decisões concretas, incluindo na compensação. “Pusemos em causa todo um range de benefícios que já há vários anos vínhamos proporcionando, mas que, fruto da evolução das gerações e das circunstâncias atuais, em alguns casos já nem sequer eram valorizados ou utilizados”, revelou.
No desenvolvimento, a mobilidade interna tornou-se um indicador-chave. “Temos, neste momento, uma mobilidade interna na casa dos 75%.” Em paralelo, foi reforçada a responsabilização individual pelas carreiras. “Implementámos um programa que designámos o ‘CEO of My Career’, ou seja, colocarmos a tónica do desenvolvimento e da progressão na própria pessoa.”
O papel das lideranças é central nesse modelo. “O nosso ciclo de performance e desenvolvimento pressupõe existir um momento ao ano em que as conversas entre chefia e colaborador devem estar focadas principalmente no desenvolvimento.”
Trabalho híbrido sem regras rígidas
A política de trabalho híbrido, definida em 2021, assentou em quatro pressupostos, começando por “autonomia, flexibilidade, responsabilidade”. “Temos a expetativa de que, em média, numa base mensal, as pessoas vão pelo menos duas vezes trabalhar para o escritório.” A opção foi clara: “Procurámos deixar de ter regras e estabelecer princípios de orientação.”
O redesenho do espaço físico acompanhou essa lógica. “Queremos que as pessoas se sintam tão confortáveis no escritório como quando se sentem nas suas casas.” Para o responsável, a mudança do espaço acelerou a mudança cultural. “Claramente mudarmos a realidade que nos rodeia é uma alavanca para acelerarmos toda uma mudança de mindset que também pretendemos almejar”, defende.
Competências para um futuro já presente
Questionado sobre o futuro da função de recursos humanos, Nuno Oliveira apontou a tecnologia e a digitalização como competências já indispensáveis. Destacou ainda o peso crescente das competências comportamentais, com destaque para a resiliência, a capacidade de adaptação e a comunicação.
Da compensação à mobilidade interna, do desenho dos benefícios ao modelo de trabalho híbrido, o responsável defendeu uma abordagem assente em escolhas concretas e monitorizadas, sublinhando: “As nossas pessoas são os verdadeiros embaixadores”.
Entre os destaques deste episódio:
- A gestão de pessoas como eixo estratégico na Zurich Portugal;
- As decisões que transformaram a proposta de valor ao colaborador;
- A mobilidade interna como motor de desenvolvimento e retenção;
- O papel das lideranças;
- O modelo de trabalho híbrido baseado em princípios;
- O impacto do espaço físico na cultura organizacional;
- As competências críticas para o futuro da função de RH.
Ouça a conversa completa ou assista ao episódio!
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