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relatório “Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030“, do WEF, deixa um recado claro aos decisores: num mercado de trabalho acelerado pela IA, o fator crítico não será a tecnologia, mas a forma como as organizações gerem pessoas, competências e transições de carreira.
Depois de traçar quatro cenários possíveis para o trabalho até 2030 (“Progresso Acelerado”, “Era da Substituição”, “Economia Co-Piloto” e “Progresso Estagnado”), o documento dedica-se a identificar estratégias consideradas transversais a todos. Segundo o WEF, 88% das empresas já utilizam IA em pelo menos uma função, mas mais de 40% das competências atualmente exigidas deverão mudar até ao final da década.
É aqui que o papel dos recursos humanos (RH) se torna central. “Garantir que a tecnologia e o talento evoluem em conjunto é fundamental para desbloquear ganhos mais amplos de produtividade”, pode ler-se no relatório. A falta de alinhamento entre tecnologia e competências é um dos riscos centrais identificados pelo WEF.
IA avança mais depressa do que as pessoas?
A formação tradicional é um dos principais alvos. O relatório defende que “a aprendizagem em IA tem de ser integrada no fluxo de trabalho”, num contexto de mudança contínua das tarefas e funções.
A colaboração entre humanos e tecnologia é outro eixo central. O WEF sublinha que “conceber fluxos de trabalho que prosperem com a colaboração entre humanos e IA será fundamental”, rejeitando tanto a automação total como a simples coexistência entre pessoas e sistemas tecnológicos. Os dados mostram que cerca de 22% das tarefas já são executadas por tecnologia, percentagem que pode ultrapassar os 50% até 2030 nos cenários de maior automação. Sem supervisão humana, alerta o documento, aumentam os riscos operacionais, éticos e reputacionais, sobretudo em decisões críticas.
O WEF aponta que tarefas rotineiras e administrativas continuam a ser as mais expostas, mas a convergência entre IA e robótica poderá alargar rapidamente esse risco a funções técnicas e qualificadas. Em setores altamente expostos, a automação poderá abranger até 90% das tarefas, exigindo uma reconfiguração profunda de carreiras e percursos profissionais.
Confiança como fator crítico da mudança
E não é tudo. Enquanto 45% dos executivos antecipam um aumento das margens de lucro com a adoção de IA, apenas 12% acreditam que essa transformação terá um impacto positivo nos salários. O resultado é uma tendência de agravamento da desigualdade salarial, com o prémio associado a competências avançadas em IA a aproximar-se do dobro do registado na década anterior.
Transparência, ética e governação de dados surgem no relatório como condições essenciais para a aceitação da tecnologia pelos trabalhadores. Sem elas, a transformação poderá gerar resistência interna e fragilizar a coesão organizacional.
Num mercado moldado por algoritmos, os RH assumem um papel central. Para o WEF, o futuro do trabalho será definido por escolhas humanas.
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