Durante décadas, os RH foram liderados quase exclusivamente por profissionais da própria área. Hoje, cada vez mais organizações procuram perfis vindos do direito, das finanças, das operações ou até das vendas para assumir posições estratégicas em RH.
A ideia foi defendida por Simon Fenwick, Global Head of Talent Acquisition da Fisher & Paykel, em declarações à revista Human Resources Director. Para o responsável, o futuro da área poderá passar precisamente por líderes com percursos menos convencionais. “Tenho visto casos de verdadeiro sucesso com pessoas vindas de áreas de crescimento, vendas ou equipas jurídicas”, afirmou, sublinhando que estes profissionais “conseguem pensar estrategicamente sobre os impactos mais amplos das decisões relacionadas com pessoas e competências”.
IA está a mudar “ADN” dos RH?
A transformação não acontece por acaso. À medida que a automação e a IA absorvem tarefas administrativas e operacionais, os RH são “empurrados” para funções cada vez mais analíticas, estratégicas e ligadas ao negócio. Interpretar dados, antecipar impactos organizacionais, influenciar decisões de gestão ou desenhar experiências de trabalho capazes de reforçar engagement e retenção tornaram-se competências centrais da função.
“Os profissionais da área de people and capability estão hoje mais próximos de consultores de experiência humana do que de especialistas em políticas”, explicou Simon Fenwick. “A questão deixou de ser ‘qual é a política?’ para passar a ser ‘como criamos uma experiência que faça o negócio avançar?’”
A mudança já é visível em várias organizações internacionais. Também Ben Mansour, responsável de RH da Anglo American, considera que os RH deixaram de ocupar apenas um papel de suporte. “Em períodos de disrupção, são cada vez mais os RH a quem os líderes recorrem para garantir estabilidade, clareza e confiança para a força de trabalho.”
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Por detrás desta evolução está uma exigência crescente de visão de negócio e é aí que muitos profissionais vindos de áreas externas aos RH começam a ganhar terreno. Um perfil financeiro habituado a interpretar business cases, um jurista especializado em gestão de risco ou um líder comercial orientado para crescimento podem, segundo esta visão, trazer competências particularmente relevantes para a nova geração de RH.
Para Simon Fenwick, esta tendência já não é conjuntural, mas estrutural. “Conheço líderes de RH extremamente inteligentes que não vieram do percurso tradicional. (…) Compreendem como o negócio funciona e percebem o impacto real das decisões.”
Os números parecem acompanhar essa transformação. Segundo o relatório HR Trends and Priorities for 2026, da Paycom, 84% dos profissionais acreditam que os RH terão um papel mais estratégico na transformação das organizações. A mesma percentagem considera que a IA irá redefinir profundamente a função nos próximos anos.
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