O orador e autor dos best-sellers internacionais Happier e Being Happy marcará presença na Happy Conference, no dia 20 de março, em Lisboa.
É autor dos best-sellers Happier e Being Happy e do livro The Joy of Leadership. Mas Tal Ben-Shahar é, também, orador internacional. Nas suas palestras, fala sobre liderança, felicidade, educação, inovação, ética, autoestima, resiliência, planeamento de objetivos e mindfulness. É o que fará no próximo dia 20 de março, na Happy Conference, no Tivoli BBVA, em Lisboa. Com os participantes, irá partilhar os comportamentos, hábitos e estilos cognitivos dos “10X Leaders” e os multiplicadores de desempenho para alcançar realização e sucesso duradouros. Tal Ben-Shahar é, ainda, co-fundador da Maytiv, da Happier TV e da Potentialife, que ajuda os seus clientes a desenvolverem as estratégias que promovam comportamentos de liderança positiva, com recurso a uma solução baseada no mais recente pensamento científico sobre liderança, mudança comportamental e tecnologia. Em entrevista, afirma que “a maioria das pessoas está errada”, porque é a felicidade que leva ao sucesso e não o contrário.
As empresas tendem a nem sempre entender com clareza o que impulsiona a produtividade e a criatividade dos seus colaboradores. Porque que razão acha que acontece e o que diz a ciência sobre isto?
A maioria das pessoas acredita que o sucesso é que leva à felicidade. O seu modelo mental é o seguinte: sucesso (causa) –>felicidade (efeito). Mas a maioria das pessoas está errada. Sabemos, com base em muitas pesquisas, que o sucesso, na melhor das hipóteses, leva a um pico nos níveis de felicidade, mas o pico é temporário, de curta duração. Mas enquanto o sucesso não leva ao bem-estar, o oposto já é verdade: sucesso (efeito) <– felicidade (causa). Esta é uma descoberta muito importante. Transforma a relação de causa e efeito e corrige a perceção errada que tantas pessoas têm. A razão para isso é que, quando vivemos emoções agradáveis, somos mais criativos, mais motivados, formamos melhores relacionamentos e somos fisicamente mais saudáveis.
O seu livro, The Joy of Leadership, explica como é que qualquer pessoa se pode tornar num 10X Leader: dez vezes mais produtivo e mais focado. O que é que os líderes podem começar a fazer hoje para se tornarem 10X líderes?
Em primeiro lugar, as empresas podem ajudar os seus colaboradores a identificarem e porem em prática os seus pontos fortes. As pessoas que conhecem e fazem uso dos seus pontos fortes são mais felizes, mais motivadas e mais bem-sucedidas no trabalho. Em segundo lugar, podem fornecer o que a professora de Harvard Amy Edmondson chama de segurança psicológica e que se traduz na confiança de que nenhum membro da equipa se vai sentir envergonhado ou punido se falar, pedir ajuda ou falhar numa tarefa específica. Quando os líderes de equipa criam um clima de segurança psicológica, quando os membros da equipa se sentem à vontade para “falhar” e para depois partilhar e discutir os seus erros, todos os membros da equipa podem aprender e melhorar. Ao contrário, quando os erros são ocultados, é menos provável que haja aprendizagem e a probabilidade de que os erros sejam repetidos é maior.
Em terceiro lugar, podem incentivar os colaboradores a fazerem exercício regularmente. O exercício físico regular – apenas três sessões semanais de trinta minutos cada – tem o mesmo efeito do que a medicação psiquiátrica mais poderosa. O local de trabalho será um lugar mais feliz, um lugar mais criativo e um local menos stressante se os colaboradores começarem um plano de exercício físico. E, finalmente, podem incentivar os colaboradores a fazerem intervalos regulares durante o dia e, depois, a criarem tempo para recuperação quando estão em casa. Estar “ligado” o tempo inteiro não é útil para o colaborador individualmente considerado, nem para a organização. Mais não é necessariamente melhor. Precisamos de recarregar as nossas baterias psicológicas. A criatividade e produtividade na verdade diminuem quando não há tempo para recuperação ao longo do dia (quinze minutos de inatividade a cada hora ou duas), da semana (pelo menos um dia de folga) e do ano (verdadeiras férias a cada seis ou doze meses).
Como é que se concilia o trabalho num cargo de alta pressão, com momentos de relaxamento e bem-estar, família e amigos, quando as empresas que mais se destacam parecem estar constantemente numa corrida contra o relógio?
Não é possível fazer tudo. Temos que ceder em algumas coisas. O importante é que cada um saiba dar prioridade ao que é mais importante para ele. Por exemplo, encontrar tempo para a família, para praticar exercício físico, para os amigos. Ao fazer isso, os colaboradores não só se vão sentir mais felizes, como mais produtivos, criativos e bem-sucedidos. A felicidade é um ótimo investimento.