Como tem a Adecco Portugal apoiado a redefinição das estratégias de talento? E que desalinhamentos existem hoje entre oferta das empresas e expectativas dos profissionais?
Na Adecco Portugal, evoluímos de um modelo tradicional de prestação de serviços para uma verdadeira arquitetura estratégica de talento. Hoje, ajudamos as organizações a encarar a atração não como um processo isolado, mas como um ecossistema de confiança, onde a promessa da marca empregadora está totalmente alinhada com a experiência real do colaborador.
O principal desalinhamento que identificamos reside na forma como as organizações continuam, muitas vezes, a valorizar benefícios transacionais, enquanto os profissionais, sobretudo os de maior potencial, procuram autonomia, propósito e impacto. Existe uma expectativa crescente por culturas que promovam o desenvolvimento contínuo, a inovação, a criatividade e a saúde mental como pilares estratégicos.
O nosso papel passa por garantir autenticidade na proposta de valor, criando uma ponte sólida entre a eficiência que o negócio exige e o bem-estar que o talento valoriza. Porque, no final, são as pessoas que sustentam qualquer estratégia de crescimento.
A Adecco apoia os seus clientes com soluções integradas como outsourcing, OnSite e consultoria de desenvolvimento de equipas. Que resultados mensuráveis têm observado?
A adoção de soluções integradas permite às organizações fazer uma transição clara de uma gestão reativa para uma abordagem verdadeiramente estratégica. Modelos como o OnSite e o Outsourcing permitem-nos assumir a complexidade operacional e a responsabilidade pelos principais indicadores de desempenho, libertando os líderes para decisões de maior impacto no negócio.
O trabalho temporário continua a ser uma ferramenta crítica para a gestão de picos de atividade e para garantir agilidade operacional em contextos de elevada variabilidade. Paralelamente, a área de learning & consulting tem registado um crescimento muito significativo, impulsionado pela necessidade urgente de requalificação e desenvolvimento contínuo. Num contexto em que a inteligência artificial (IA) acelera a transformação organizacional, apoiamos os nossos parceiros desde o diagnóstico até à implementação de programas de reskilling e upskilling, criando bases sustentáveis para o futuro.
Os resultados são claros: maior estabilidade operacional, redução do turnover e ganhos consistentes de produtividade, sobretudo em setores de elevada exigência como o industrial e o tecnológico. Em vários projetos, conseguimos também aumentar significativamente os níveis de engagement, através de programas estruturados de desenvolvimento de equipas. Mas talvez o maior valor seja a “paz operacional” que devolvemos às organizações, permitindo que se concentrem no que realmente as diferencia: crescer, inovar e liderar.
De que modo está a Adecco a apoiar as empresas na antecipação de riscos e na tomada de decisão?
Atuamos como um verdadeiro radar estratégico num mercado cada vez mais volátil. Apoiamos as organizações a transformar incerteza em decisões informadas, através de inteligência de mercado e análise preditiva. Mais do que dados, entregamos contexto. Ajudamos a interpretar tendências demográficas, dinâmicas salariais e movimentos de talento, permitindo às empresas agir de forma preventiva, antes que os riscos se materializem. Desenvolvemos também planos de Workforce Planning a médio e longo prazo, antecipando escassez de competências críticas e desenhando estratégias de requalificação interna.
Num contexto de constante mudança, decidir com base em informação sólida é o que garante clareza, agilidade e sustentabilidade. As competências híbridas estão a ganhar relevância. As empresas estão preparadas? Que lacunas identifica?
As competências híbridas, a combinação entre domínio tecnológico e competências humanas, como pensamento crítico, empatia e colaboração, são hoje o maior diferencial competitivo. As empresas portuguesas estão cada vez mais conscientes desta realidade, mas ainda enfrentam desafios na sua avaliação estruturada. Continua a existir uma tendência para privilegiar competências técnicas imediatas, em detrimento da adaptabilidade e do potencial de crescimento.
A maior lacuna está na chamada “learnability”, a capacidade de aprender, desaprender e voltar a aprender, e na agilidade emocional. Num mundo em constante disrupção, estas são as competências que verdadeiramente distinguem os profissionais e as organizações. Na Adecco, trabalhamos para ajudar os nossos clientes a olhar além do currículo, avaliando o potencial humano de forma mais holística e preparando as empresas para desafios que ainda não estão totalmente definidos.
Que debates considera urgente colocar na agenda dos líderes de RH no Fórum RH deste ano?
O tema mais urgente é, sem dúvida, a humanização das organizações num contexto de crescente automação. A IA traz uma oportunidade única: libertar o potencial humano para tarefas de maior valor, reforçando a criatividade, a colaboração e o pensamento estratégico. Mas isso exige uma reflexão profunda sobre o papel da tecnologia, que deve ser um facilitador de conexão, e não um fator de distanciamento. Precisamos de discutir como manter culturas fortes, níveis elevados de confiança e lideranças inspiradoras num contexto de transformação acelerada. E, sobretudo, como preparar as pessoas para funções onde a ética, a colaboração e a capacidade de decisão serão cada vez mais determinantes. Na Adecco, acreditamos que o futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia, mas pela forma como escolhemos usá-la para potenciar o melhor de cada pessoa. Porque, no final, fazer o futuro funcionar para todos começa e termina nas pessoas.
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
Assista também ao Fórum RH Talks com Alexandra Andrade, CEO da Adecco Portugal. Este podcast integra uma série de conversas promovida pela RHmagazine, em parceria com os parceiros do Fórum RH 2026, dedicada aos grandes desafios, tendências e transformações da gestão de pessoas.
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