As empresas estão a redefinir as suas estratégias de talento em torno do desempenho comercial, da experiência do cliente e das competências tecnológicas avançadas, de acordo com o relatório 2026 Q1 General Industry Talent Intelligence Report, da WTW, que analisa as principais tendências de gestão de talento e mercado de trabalho.
Segundo o estudo, num contexto económico mais exigente, as organizações estão a concentrar esforços nas competências que contribuem diretamente para o crescimento das receitas, reforçam a resiliência organizacional e ajudam a gerir o risco. Na Europa, os empregadores estão a reforçar o investimento em funções ligadas às vendas e à gestão da relação com clientes, numa tentativa de proteger o crescimento dos negócios perante um consumo que continua pressionado. As receitas, a retenção de clientes e a especialização comercial surgem entre as principais prioridades das organizações.
As competências relacionadas com a experiência do cliente mantêm igualmente um papel relevante. Ao mesmo tempo, a automação e a inteligência artificial (IA) estão a transformar os centros de contacto e os modelos globais de prestação de serviços, aumentando a procura por profissionais com competências digitais e capacidade de adaptação à mudança.
O relatório destaca ainda o crescimento da procura por competências ligadas à governação e controlo, nomeadamente nas áreas de compliance, documentação e gestão de registos, refletindo a evolução do enquadramento regulatório e a necessidade de reforçar a especialização operacional.
Competências acima dos cargos?
De acordo com a WTW, esta transformação acompanha uma tendência mais ampla para modelos de gestão de talento assentes em competências e não apenas em funções ou cargos. As organizações estão a integrar competências tecnológicas avançadas em diferentes áreas de negócio, deixando de as restringir a perfis altamente especializados. Entre as competências em destaque surgem prompt engineering, visualização digital e agentic design, bem como análise de dados, programação de grandes modelos de linguagem, desenvolvimento de agentes de IA e scripting.
As funções relacionadas com IA, cadeia de abastecimento e análise da força de trabalho continuam também a ganhar relevância, numa altura em que as organizações procuram antecipar as necessidades futuras de talento, colmatar lacunas de competências e alinhar a força de trabalho com os objetivos estratégicos do negócio.
Carreiras menos lineares
Para Ruchi Arora, Senior Managing Director, Work and Rewards da WTW, a rápida evolução das competências está a alterar profundamente a forma como os profissionais encaram as suas carreiras. “À medida que os requisitos de competências evoluem rapidamente e as funções continuam a transformar-se, as carreiras tornam-se menos lineares. Os profissionais procuram crescimento e desenvolvimento de novas formas, em vez de seguirem percursos profissionais tradicionais”, refere.
A responsável sublinha ainda a importância crescente da mobilidade interna, da requalificação profissional e da valorização de competências transferíveis, sobretudo em áreas tecnológicas e analíticas, onde a procura continua a superar a oferta disponível. “Para as empresas, isto reforça a importância de mercados internos de talento, modelos transparentes de competências e estruturas de compensação que reconheçam o contributo e as capacidades, e não apenas os cargos. Para os profissionais, sublinha o valor de desenvolver um portefólio de competências adaptável e adquirir experiências profissionais diversificad”, acrescenta.
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