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flexibilidade deixou de ser apenas uma questão de onde se trabalha. Num mercado em que as empresas disputam competências especializadas, a capacidade de atrair e, sobretudo, manter profissionais pode ter consequências diretas na produtividade. É esta a relação analisada num novo estudo da IWG, realizado em conjunto com a Arup.
A investigação quantifica o impacto potencial nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ao longo de cinco anos, uma maior retenção de talento poderá representar ganhos de produtividade de cerca de 204,7 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 10,8 mil milhões de libras no Reino Unido. São estimativas específicas destes dois mercados e não podem, por isso, ser transpostas diretamente para Portugal.
Ainda assim, os dados portugueses reunidos apontam para uma valorização crescente da flexibilidade. Um estudo da Hays realizado em 2026 junto de 539 trabalhadores concluiu que 87% consideram o modelo de trabalho – presencial, remoto ou híbrido – uma prioridade máxima ou um fator muito importante quando avaliam uma nova oportunidade profissional.
No setor tecnológico, o Experis Tech Talent Outlook relativo ao segundo trimestre de 2026 aponta na mesma direção: 35% dos empregadores inquiridos em Portugal identificam uma maior flexibilidade de horários como estratégia para atrair e reter talento, à frente dos aumentos salariais, referidos por 30%. Outros 28% apontam uma maior flexibilidade quanto ao local de trabalho.
A flexibilidade não aparece apenas quando chega o momento de procurar um emprego. Surge também entre as razões para permanecer. Segundo os resultados portugueses do Workmonitor 2026, da Randstad, 51% dos profissionais apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como principal motivo para continuarem no emprego atual, enquanto 23% indicam a remuneração e os benefícios. Metade dos profissionais inquiridos afirma já ter abandonado um emprego por falta de autonomia.
É precisamente na retenção que o estudo da IWG e da Arup encontra o maior potencial de aumento da produtividade nos dois mercados analisados. Quando um profissional sai, a organização não perde apenas um trabalhador. Experiência e conhecimento acumulados também podem sair pela porta. A análise estima que a rotatividade possa estar associada a perdas anuais de Valor Acrescentado Bruto que atingem 40,9 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 2,2 mil milhões de libras no Reino Unido.
A preservação de conhecimento dentro das organizações surge, por isso, como outra parcela da equação. A redução das perturbações associadas à perda desse conhecimento poderá corresponder a 65,5 mil milhões de dólares em ganhos de produtividade nos Estados Unidos e 5,7 mil milhões de libras no Reino Unido.
Atrair novos profissionais também tem expressão nas estimativas: uma maior capacidade de atração de talento poderá acrescentar 98,3 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e 6,5 mil milhões de libras no Reino Unido, ao longo de cinco anos. Já processos mais eficientes de recrutamento e integração poderão representar cerca de 9,4 mil milhões de dólares e 600 milhões de libras, respetivamente.
Na tecnologia, flexibilidade ultrapassa salário
A disputa por competências tecnológicas torna esta relação particularmente visível. Segundo os dados apresentados pela IWG, 37% dos líderes empresariais utilizam modelos de trabalho híbridos como estratégia para competir pelos melhores profissionais do setor tecnológico, enquanto 35% apontam uma remuneração competitiva.
Mais de três quartos (78%) consideram que as organizações com modelos híbridos ou flexíveis têm vantagem sobre aquelas que não disponibilizam essa possibilidade. E 72% dos líderes empresariais consideram estes modelos essenciais para atrair líderes mais jovens.
A flexibilidade surge igualmente entre as prioridades dos responsáveis de recursos humanos: estudos realizados pela IWG indicam que 81% dos CHRO consideram o trabalho híbrido fundamental para reter os melhores talentos e 86% identificam a flexibilidade como o benefício mais procurado pelos candidatos.
A inteligência artificial (IA) acrescenta uma segunda variável à transformação dos modelos de trabalho. Quatro em cada cinco CEO (80%) consideram que a tecnologia aumenta a produtividade quando combinada com modelos híbridos. Cerca de 60% dos profissionais norte-americanos e 68% dos britânicos afirmam ainda que a tecnologia já está a melhorar a experiência de trabalho híbrido.
Em Portugal, o Workmonitor 2026 indica que 60% dos profissionais e 70% dos empregadores inquiridos consideram que a IA está a contribuir para melhorar o desempenho. Entre os empregadores, 89% planeiam reforçar a utilização desta tecnologia nos 12 meses seguintes.
Christian Schmitz, CEO da IWG destaca o impacto da retenção e da flexibilidade na produtividade: “Para qualquer empresa, contar com as pessoas certas é fundamental para o seu desempenho. Esta investigação permite quantificar algo que muitos líderes já reconhecem: reter profissionais experientes, atrair talento a partir de uma base mais ampla e proporcionar às pessoas a flexibilidade necessária para darem o seu melhor pode ter um impacto significativo na produtividade“.
“A tecnologia está a ampliar ainda mais esta oportunidade. A inteligência artificial está a transformar a forma e o local onde trabalhamos, enquanto modelos de trabalho mais flexíveis permitem às empresas aceder a talento onde quer que este se encontre. Em conjunto, estas duas tendências podem ajudar as organizações a tornarem-se mais ágeis e produtivas.”
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