Aprender competências básicas em IA poderá ser mais rápido do que muitos profissionais julgam. Quem o afirma é o WEF, numa publicação no LinkedIn em que a organização traça um retrato da evolução das qualificações digitais, das dinâmicas de criação de emprego e do papel das competências humanas num mercado de trabalho em rápida transformação.
A WEF sistematiza três tendências que considera determinantes para o futuro do trabalho e da educação, num contexto marcado por aceleração tecnológica, reconfiguração geoeconómica e pressão demográfica.
1- Aprender IA pode ser mais rápido do que parece
Segundo o WEF, “a investigação mostra que são necessárias apenas 30 horas para atingir competências de IA ao nível iniciante e 137 horas para alcançar proficiência avançada”. A organização acrescenta que “design e UX requerem cerca de 32 horas para começar, enquanto a cibersegurança, uma das áreas mais complexas, exige 155 horas para atingir um nível avançado”.
Num mercado em que as competências digitais estão entre as mais procuradas, o WEF sublinha que o investimento em qualificação poderá ser mais acessível do que muitos profissionais antecipam, abrindo espaço à progressão e à reconversão de carreira.
2- O futuro do emprego não depende só da IA
Num artigo publicado na revista Time, Saadia Zahidi, Managing Director da organização, afirma que “o impacto da IA nos empregos não pode ser compreendido isoladamente”. Embora se antecipe que a criação de emprego ultrapasse a destruição de postos de trabalho, o desfecho dependerá da articulação entre tecnologia, geopolítica, demografia e sistemas educativos. Mais: ao contrário de anteriores transições tecnológicas, que se estenderam por décadas, o WEF entende que a IA deverá evoluir a um ritmo mais rápido.
Ao mesmo tempo, mudanças nos fluxos do comércio internacional, a diminuição do investimento estrangeiro em algumas regiões e o aparecimento de novos polos de crescimento estão a alterar os locais onde o emprego é criado. A este cenário somam-se as dinâmicas demográficas: países com populações envelhecidas aceleram a automação, enquanto economias em desenvolvimento procuram gerar emprego para uma população jovem em crescimento.
3- Competências humanas tornam-se vantagem competitiva na era da IA
A investigação citada pelo WEF indica que competências centradas no humano, como criatividade, resolução de problemas, curiosidade e resiliência, registaram uma diminuição acentuada entre 2019 e 2021 e ainda não regressaram aos níveis pré-pandemia. Estas competências são consideradas críticas por resistirem à automação e por amplificarem os benefícios da IA, apoiando trabalhadores e organizações na adaptação a contextos de mudança rápida. Ainda assim, surgem em apenas 2% dos anúncios de emprego e exigem meses de prática deliberada e acompanhamento para serem desenvolvidas.
Citada pelo WEF, Kate Niederhoffer, da BetterUp, afirma que “a aprendizagem contínua, intervenções personalizadas e inteligência de desempenho em tempo real podem ajudar os trabalhadores a reconstruir competências essenciais e a desbloquear maior produtividade”.
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