Que escolhas na gestão de pessoas estiveram na base deste reconhecimento?
Na JTI Portugal, este reconhecimento resulta de uma aposta consistente numa cultura verdadeiramente centrada nas pessoas. Estruturalmente, assenta em três pilares: uma cultura clara e vivida, que designamos por “Our Way”; políticas de pessoas alinhadas com a estratégia do negócio e, ao mesmo tempo, concebidas para potenciar o melhor lado humano dos nossos colaboradores; e uma forte capacidade de escuta e de cocriação com as equipas.
Investimos de forma contínua no desenvolvimento de talento, no bem-estar, na flexibilidade e na inclusão, garantindo coerência e impacto no dia a dia das equipas.
Num contexto de crescente exigência sobre a experiência do colaborador, que dimensões da estratégia de pessoas têm exigido maior adaptação nos últimos anos?
A personalização da experiência do colaborador tem sido uma das áreas que mais evoluiu. As expectativas tornaram-se mais diversas, levando-nos a reforçar modelos de trabalho flexíveis, programas de mobilidade interna e percursos de desenvolvimento ajustados a diferentes fases da carreira.
Um exemplo é a coexistência de iniciativas como o Bright Up, para talento jovem, e o Silver Talent, focado em fases mais avançadas da carreira.
“Estamos a criar um ambiente onde as pessoas se sentem valorizadas e comprometidas.”
A avaliação do Top Employers Institute cobre áreas como desenvolvimento de talento, bem-estar, diversidade e cultura. Em quais destes domínios sentiram maior pressão para evoluir e porquê?
Mais do que numa área específica, o desafio tem sido evoluir de forma equilibrada em todas estas dimensões. No desenvolvimento de talento, a pressão passa por oferecer percursos mais flexíveis e personalizados. No bem-estar, por consolidar uma abordagem holística que integre propósito, saúde emocional e equilíbrio.
Em diversidade e inclusão, o foco é garantir impacto real das iniciativas. Ao nível da cultura, o desafio é manter a cultura Our Way viva e coerente num contexto de mudança constante.
Como é que a JTI articula políticas globais de gestão de pessoas com a realidade específica do mercado de trabalho português, garantindo consistência sem perder relevância local?
Partimos de um enquadramento global sólido, com espaço para adaptação local. Em Portugal, ajustamos práticas às especificidades legais, culturais e às expectativas do mercado, nomeadamente em matéria de flexibilidade e proximidade.
Esta articulação permite manter coerência global, assegurando simultaneamente relevância e eficácia no contexto português.
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Que áreas da gestão de pessoas continuam a representar desafios ou dilemas para a JTI?
O principal desafio continua a ser atrair e reter talento num mercado em constante evolução. Hoje, as pessoas procuram propósito, flexibilidade, oportunidades de desenvolvimento e sentido de pertença. Responder a estas expectativas implica evoluir na aprendizagem contínua, na mobilidade e na personalização da experiência, preparando simultaneamente o futuro do trabalho.
Que indicadores internos são mais relevantes para avaliar se as práticas de recursos humanos estão, de facto, a produzir impacto no desempenho, na motivação e na permanência dos colaboradores?
Utilizamos indicadores como engagement, retenção, mobilidade interna, participação em programas de desenvolvimento e bem-estar, bem como resultados de desempenho. A renovação do primeiro lugar como Top Employer em Portugal é um sinal claro de que estamos a criar um ambiente onde as pessoas se sentem valorizadas e comprometidas.
Para as organizações que aspiram a um reconhecimento semelhante, que decisões menos visíveis, mas estruturantes, fazem a diferença entre cumprir requisitos formais e construir uma cultura sólida de gestão de pessoas?
A diferença está na coerência e na autenticidade. Não se trata apenas de cumprir requisitos, mas de viver a cultura diariamente, ouvir os colaboradores e envolver as lideranças como embaixadores das práticas de pessoas. Trata-se de transparência e de sinceridade, comunicando aos colaboradores, no momento mais adequado, as razões subjacentes às decisões do negócio. São estas decisões, muitas vezes silenciosas, que constroem uma cultura sólida e resiliente.
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- 98,72%: pontuação média global na certificação Top Employer
- + 46.000: colaboradores a nível global
- 61 colaboradores em Portugal
- 95%: taxa de participação no último inquérito de engagement/clima
- 88 de eSat
- 100% com avaliação de desempenho e objetivos definidos
- 50% de funções preenchidas por mobilidade interna
- 100% abrangidos por programas de bem-estar
Artigo publicado na edição 162 da RHmagazine, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2026
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