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Flexibilidade está a redefinir a carreira das mulheres

O trabalho híbrido está a ganhar peso nas decisões profissionais das mulheres. Um novo estudo revela que 77% recusariam um emprego sem essa possibilidade.

Ana Rita Rebelo Por Ana Rita Rebelo
6 de Março, 2026
em DESTAQUES, TENDÊNCIAS RH
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Flexibilidade está a redefinir a carreira das mulheres
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Os modelos de trabalho híbrido e flexível estão a assumir um papel cada vez mais relevante na progressão profissional das mulheres e no desempenho das organizações. A conclusão é de um estudo divulgado pela International Workplace Group (IWG) a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala a 8 de março.

De acordo com o estudo, dois terços das mulheres (66%) consideram que formas de trabalho mais flexíveis são determinantes para a progressão na carreira. A mesma percentagem afirma que o trabalho híbrido teve um impacto positivo no seu percurso profissional, valor que sobe para 79% entre millennials e 76% na geração Z.

Entre as mais de duas mil mulheres inquiridas, 66% referem ainda que o trabalho flexível melhorou a sua capacidade de partilhar conhecimentos e competências com outras mulheres. Além disso, 62% afirmam ter encontrado mais oportunidades para aprender com mulheres em cargos de liderança quando trabalham em regime híbrido. A IWG defende que, ao proporcionar maior autonomia nos modelos de trabalho, as empresas promovem níveis mais elevados de motivação, confiança e desempenho.

Em Portugal, cerca de 22% das mulheres empregadas encontravam-se em teletrabalho ou em regimes mais flexíveis no último trimestre de 2025, o equivalente a aproximadamente 575 mil trabalhadoras, de acordo com dados da CGTP. Os números indicam que os modelos híbridos se estão a consolidar no mercado de trabalho português, sendo apontados como uma oportunidade para reforçar práticas mais equitativas, apoiar a progressão profissional feminina e melhorar indicadores de produtividade, retenção e competitividade empresarial.

Dados da IWG sugerem também que o trabalho flexível pode aumentar a produtividade até 12%, reforçando evidência académica que aponta para ganhos entre 3% e 4%.

Flexibilidade pesa na decisão de aceitar emprego

A flexibilidade surge também como um fator determinante na atração de talento feminino. De acordo com o estudo, 77% das mulheres afirmam que dificilmente aceitariam um emprego que não incluísse trabalho híbrido. Apenas 7% referem que o acesso ao trabalho flexível não teria impacto na decisão de aceitar uma proposta.

Fatima Koning, CCO da International Workplace Group Plc, afirma que “este estudo demonstra que, quando as empresas capacitam as mulheres com maior flexibilidade, obtêm um desempenho mais forte em retorno – uma clara expressão do conceito ‘Give to Gain’. Para além de aumentar a produtividade e promover o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a flexibilidade reforça a colaboração, fortalece a confiança e amplia o acesso a redes de liderança, ajudando as mulheres a permanecer e a progredir no mercado de trabalho. A flexibilidade deixou de ser opcional; é fundamental para desbloquear o talento feminino”.

O trabalho híbrido surge também associado à retenção de talento. Quase 73% das mulheres afirmam que é mais provável permanecerem numa empresa que lhes permita reduzir o tempo de deslocação, trabalhando localmente. Além disso, 64% indicam que o regime híbrido permitiu que se mantivessem no mercado de trabalho quando, de outra forma, poderiam ter sido obrigadas a sair devido a responsabilidades pessoais.

Deslocações longas continuam a ser obstáculo

Apesar da crescente adoção do trabalho híbrido, as deslocações frequentes para escritórios centrais continuam a representar um obstáculo para muitas profissionais. Mark Dixon, CEO da International Workplace Group, sublinha que “quando os colaboradores podem trabalhar mais perto de casa, em espaços profissionais adequados, ganham mais do que flexibilidade. O trabalho híbrido abre portas à colaboração e à progressão de carreira, ao mesmo tempo que reduz o impacto das longas deslocações diárias. Para o talento feminino, a flexibilidade é um catalisador de crescimento”.

Segundo o estudo, 68% das mulheres afirmam que as deslocações reduzem o tempo disponível para a vida pessoal e bem-estar, enquanto 64% consideram que dificultam a conciliação com outras responsabilidades. Já 67% dizem ter menos tempo para a família.

A nível profissional, 61% indicam menor energia e produtividade, 56% referem dificuldade em manter a motivação no escritório e 41% consideram que as deslocações afetam as perspetivas de carreira a longo prazo. Entre os jovens dos 18 aos 24 anos, este valor sobe para 53%.

Quais os benefícios para as empresas?

Os resultados sugerem também vantagens para as organizações. De acordo com o estudo, 69% das empresas com modelos de trabalho flexíveis reportam melhorias na produtividade das equipas e consideram que estas políticas reforçaram a capacidade de atrair e reter talento.

Uma Investigação da McKinsey aponta ainda que empresas com representação feminina superior a 30% têm maior probabilidade de apresentar um desempenho financeiro superior face às que registam níveis mais baixos de representatividade.

Para a IWG, os resultados indicam que o trabalho híbrido pode criar um ciclo positivo: quando as mulheres têm acesso a maior flexibilidade e a espaços de trabalho profissionais próximos de casa, aumentam as oportunidades de progressão e envolvimento, beneficiando simultaneamente as empresas através de maior inovação, lealdade e produtividade.


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