Depois do “quiet quitting“, chega o fenómeno oposto: profissionais mais envolvidos, mais estáveis e focados em crescer dentro da mesma empresa. Chama-se “quiet thriving“.
De acordo com o Guia Hays 2026, esta tendência começa a ganhar expressão também em Portugal. Os dados mostram que 63% dos profissionais está satisfeito com o seu trabalho e 56% opta por permanecer nas suas organizações, mesmo perante desafios, num sinal claro de que a mobilidade já não é a única resposta às ambições de carreira.
Ao contrário do “quiet quitting“, associado a uma postura mais passiva, o “quiet thriving” traduz uma abordagem ativa ao desenvolvimento profissional. Em vez de procurarem novas oportunidades fora, os colaboradores apostam em evoluir dentro da organização, assumindo novos projetos, funções e responsabilidades, ao mesmo tempo que valorizam estabilidade, bem-estar e sentido de pertença.
O que leva os profissionais a ficar?
Esta mudança está também ligada à evolução das prioridades dos profissionais. Uma vez asseguradas condições económicas base, outros fatores ganham peso crescente na decisão de ficar: benefícios e rendimento estável (42%), segurança no emprego (41%), boa relação com colegas e liderança (33%), equilíbrio entre vida pessoal e profissional (33%), gosto pela função (32%) e oportunidades de crescimento (25%).
Do lado das empresas, há sinais de convergência. As organizações apontam o pacote de benefícios (57%), o ambiente de trabalho (52%) e a natureza desafiante da função (31%) como principais fatores de atração. Já os profissionais destacam o pacote de benefícios (63%), o ambiente de trabalho (56%) e um projeto desafiante (47%).
Para mais de metade dos profissionais, elementos como flexibilidade, ambiente positivo e previsibilidade são determinantes na avaliação de uma oportunidade, reforçando a tendência de permanência e crescimento interno.
O papel crítico das lideranças
“O mercado está a enviar um sinal claro: os profissionais já não procuram apenas o próximo passo, mas um percurso de carreira com sentido”, considera Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal, em comunicado. Acrescenta ainda que, “num contexto mais estável, fatores como o ambiente de trabalho, a confiança nas lideranças e o desenvolvimento interno ganharam um peso decisivo. Quando estes elementos estão assegurados, os profissionais escolhem crescer dentro das organizações, e não entrar num ciclo permanente de mudança”.

Para as empresas, o “quiet thriving” representa uma oportunidade estratégica. Ao promoverem o desenvolvimento interno e criarem condições para a evolução dos colaboradores, conseguem reforçar o engagement, reduzir a rotatividade e potenciar a produtividade. O talento interno traz ainda uma vantagem competitiva relevante, uma vez que já conhece a cultura, os processos e as dinâmicas da organização, permitindo uma adaptação mais rápida e eficaz do que novas contratações.
“A retenção passa cada vez mais por uma proposta de valor consistente e por uma liderança próxima. Os dados do Guia Hays 2026 demonstram que, para além da remuneração, a proposta de valor das empresas deve ser cada vez mais integrada, combinando benefícios competitivos, um ambiente positivo e oportunidades reais de desenvolvimento. Ou seja, quando os profissionais sentem que têm espaço para crescer e que o seu contributo é valorizado, a ligação à organização fortalece-se de forma natural. Assim, o papel das lideranças é crítico para identificar potencial, fomentar o desenvolvimento e continuar a crescer”, reforça Paula Baptista.
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