Como tem a Workplace Options apoiado as empresas na construção de estratégias integradas de bem-estar? Que sinais mais preocupantes identificam hoje no mercado?
A Workplace Options apoia as organizações na construção de um continuum de cuidados que integra apoio emocional imediato – através da Single-Session Therapy (SSTTM), prestada por psicólogos clínicos 24/7 -, coaching nutricional, acompanhamento em situações de crise, formações para gestores e avaliações de riscos psicossociais. Não se trata de um catálogo de serviços isolados, mas de um ecossistema coerente que acompanha o colaborador e a sua família em cada fase do ciclo de vida.
O sinal mais preocupante que identificamos é a normalização do stress crónico. Muitas empresas reconhecem o problema, mas continuam a tratá-lo como uma questão individual, quando é estrutural. Os dados de 2026 indicam que mais de 75% dos trabalhadores reportam burnout e que o engagement caiu significativamente. No contexto português, onde o mercado de bem-estar corporativo ainda amadurece, vemos organizações que comparam soluções sem compreender as diferenças de profundidade clínica. É aqui que nos diferenciamos.
Muitas organizações já dispõem de programas de apoio ao colaborador, mas nem sempre conseguem medir o seu impacto real. Que indicadores devem ser monitorizados para avaliar a eficácia destas iniciativas e que resultados concretos têm observado nas empresas que acompanham?
Um programa de bem-estar que não mede resultados não pode evoluir. Recomendamos indicadores em três dimensões. Na clínica: a taxa de resolução na primeira sessão – na nossa SSTTM, as sessões duram, em média, 44 minutos, muito acima dos menos de 10 minutos do setor. Na organizacional: taxa de utilização, absentismo, presenteísmo e engagement. Na financeira: modelos de ROI que demonstram retornos de três a seis euros por cada euro investido.
“O nosso Psychological Safety Study – baseado em conversas reais entre colaboradores e clínicos em 18 países – confirma que a segurança psicológica depende diretamente da liderança.”
Um dado diferenciador: após o apoio psicológico imediato dos nossos clínicos, apenas 44% dos utilizadores necessitam de referenciação externa – e, desses, 77% comparecem à consulta. Ou seja, 94% das pessoas recebem o apoio de que necessitam. Partilhamos estes resultados com as empresas através de relatórios regulares, permitindo ajustar continuamente a estratégia para chegarmos a todos.
O bem-estar deixou de ser apenas uma questão individual para passar a ser também um tema de liderança e cultura organizacional. Que papel devem assumir os líderes na prevenção do burnout e na promoção de ambientes psicologicamente seguros?
O nosso Psychological Safety Study – baseado em conversas reais entre colaboradores e clínicos em 18 países – confirma que a segurança psicológica depende diretamente da liderança. Cerca de 69% dos colaboradores afirmam que o seu gestor direto tem mais impacto na sua saúde mental do que o salário ou as políticas da empresa.
Os líderes devem identificar sinais precoces de burnout, criar uma cultura onde pedir ajuda não é fraqueza e garantir condições estruturais sustentáveis: distribuição de carga, autonomia, clareza de objetivos. Na Workplace Options, respondemos com o Manager Assist e a formação A.I.R. (Acknowledge, Inform, Refer), que capacitam os gestores para reconhecer sinais de sofrimento e encaminhar de forma adequada.
Com modelos de trabalho híbridos e equipas cada vez mais distribuídas, que desafios adicionais surgem na gestão da saúde emocional e como podem as plataformas digitais reforçar a proximidade, o acompanhamento e a confidencialidade do apoio prestado?
O trabalho híbrido criou novos riscos: isolamento, diluição das fronteiras pessoal/profissional e dificuldade em detetar sinais de mal-estar à distância. Os colaboradores entre 18 e 24 anos são os mais vulneráveis – em 2026, quase dois em cada cinco ausentaram-se por stress.
A nossa resposta combina o humano com o digital. Os centros de serviço, operacionais 24/7, garantem acesso imediato a um psicólogo por telefone, vídeo ou WhatsApp, no idioma do colaborador. A app Balancy oferece acompanhamento contínuo e o nosso sistema unificado de gestão de casos (UCMS) assegura continuidade do cuidado e conformidade com a proteção de dados. A confidencialidade é inegociável: garantir que o apoio é anónimo e independente da entidade empregadora é o que transforma disponibilidade em utilização efetiva.
Face à crescente centralidade da saúde mental e do equilíbrio vida-trabalho na agenda das empresas, que perspetiva pretende a Workplace Options acrescentar ao debate do Fórum RH?
O Fórum RH 2026 centra-se no “Trabalho 5.0” – a fusão entre tecnologia e dimensão humana. Alinha-se com a
nossa visão: a tecnologia deve aproximar, não substituir a conexão humana.
Queremos trazer a perspetiva da evidência e da ação. O bem-estar ganhou espaço nas agendas, mas existe o risco de se tornar discursivo, sem tradução em resultados concretos. A nossa experiência global – mais de 88 milhões de pessoas apoiadas em mais de 200 países – ensina-nos que a diferença entre um programa eficaz e um que existe apenas no papel reside em três fatores: acesso imediato a profissionais qualificados, integração com a estratégia organizacional e medição contínua de resultados. Para o mercado português, a mensagem é clara: investir em saúde mental é uma decisão estratégica com retorno mensurável.
Artigo publicado na edição 164 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2026
Assista também ao Fórum RH Talks com Ricardo Sousa, Director Business Solutions Iberia da Workplace Options. Este podcast integra uma série de conversas promovida pela RHmagazine, em parceria com os parceiros do Fórum RH 2026, dedicada aos grandes desafios, tendências e transformações da gestão de pessoas.
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