A
prudência nas contratações não travou o investimento nas competências mais procuradas pelo mercado. O mais recente ManpowerGroup Employment Outlook Survey, relativo ao terceiro trimestre de 2026, mostra que as empresas continuam dispostas a pagar mais para atrair profissionais com perfis considerados críticos.
As áreas mais valorizadas são operações e logística (57%); recursos humanos (56%); administração e office support (56%); literacia em inteligência artificial (55%). Segundo o ManpowerGroup, apesar da crescente atenção dada à inteligência artificial (IA), os dados mostram que as organizações continuam a valorizar um conjunto alargado de competências técnicas relacionadas com o funcionamento do negócio, procurando reforçar simultaneamente a eficiência operacional, a adaptação tecnológica e o desenvolvimento das equipas.
Nas empresas de tecnologia e serviços de IT, 78% dos empregadores afirmam estar disponíveis para pagar mais a profissionais com competências em desenvolvimento de modelos de IA. Seguem-se a literacia em IA (72%) e as competências tradicionais de IT e dados (70%).
Já nos setores mais operacionais, as necessidades são diferentes. Na construção e imobiliário, 68% dos empregadores afirmam estar dispostos a pagar um prémio salarial por profissionais com competências de engenharia. Seguem-se as competências de operações e logística (64%) e de recursos humanos (62%).
Na indústria, a maior valorização recai sobre as competências de produção, apontadas por 82% dos empregadores, seguidas de operações e logística (61%) e de vendas e marketing (61%). Já no setor do comércio e logística, 74% dos empregadores dizem estar disponíveis para pagar mais por profissionais com competências de vendas e marketing, enquanto 63% valorizam competências de operações e logística e de recursos humanos (RH).
O estudo destaca ainda que as competências em RH assumem maior importância nos setores onde a escassez de talento continua mais elevada, como utilities e recursos naturais (70%), hotelaria e restauração (58%) e saúde e setor público (56%). Segundo o ManpowerGroup, esta tendência reflete uma crescente preocupação das organizações com a capacidade para atrair, desenvolver e reter profissionais.
Competências humanas continuam entre as mais valorizadas
Quando questionados sobre as competências comportamentais pelas quais estariam mais disponíveis para pagar um prémio salarial, os empregadores identificaram:
- Profissionalismo e ética (67%);
- Comunicação, colaboração e trabalho em equipa (66%);
- Adaptabilidade e vontade de aprender (63%).
A utilização de ferramentas de IA já está a produzir ganhos de produtividade em muitas organizações. Ainda assim, o estudo conclui que esses resultados dependem igualmente da capacitação das pessoas.
Entre os empregadores inquiridos, 53% apontam a utilização de ferramentas de IA como um dos principais fatores para o aumento da produtividade no último ano e 49% atribuem esse impacto ao investimento em formação, upskilling e reskilling. Para o ManpowerGroup, a diferença entre estes indicadores demonstra que a tecnologia, por si só, não explica os ganhos de produtividade, sendo igualmente determinante preparar os colaboradores para a utilizar.
Grandes empresas aceleram investimento em formação
O estudo mostra também diferenças relevantes consoante a dimensão das organizações.
Nas empresas com mil a 4.999 trabalhadores:
- 53% referem ganhos de produtividade associados à formação em ferramentas de IA;
- 51% apontam a formação noutras áreas.
Nas organizações com mais de cinco mil trabalhadores:
- 46% destacam a formação em IA;
- 39% a formação noutras competências.
Nas pequenas empresas:
- 35% identificam ganhos associados à formação em IA;
- 39% à formação noutras áreas.
Nas médias empresas:
- 55% referem formação em IA;
- 48% formação noutras competências.
Estes resultados sugerem que as organizações de maior dimensão estão a acelerar a capacitação das equipas para potenciar a adoção da IA, enquanto as empresas mais pequenas enfrentam maiores dificuldades em disponibilizar este tipo de formação.
Tecnologia lidera ganhos de produtividade
Os maiores impactos da IA na produtividade são reportados pelos setores de:
- Tecnologia e Serviços de IT (74%);
- Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos (73%).
Por outro lado, os impactos são menos expressivos em:
- Finanças e Seguros (35%);
- Utilities e Recursos Naturais (40%);
- Hotelaria e Restauração (42%);
- Construção e Imobiliário (45%).
O ManpowerGroup Employment Outlook Survey baseia-se em respostas de 40.500 empregadores de 42 países e territórios. O próximo relatório, dedicado às intenções de contratação para o quarto trimestre de 2026, será divulgado em setembro.
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