Autora: Sara Mendes, Head of People and Talent na KLx
Depois de um mês marcado por momentos de rentrée, assinalamos agora o Dia Mundial da Saúde Mental, o momento ideal para relembrar que, embora possamos vir de energias recarregadas, a sobrecarga de trabalho é, muitas vezes, uma realidade pesada e com consequências, entre elas o burnout. Como podemos prevenir que os colaboradores cheguem a estas situações extremas?
A Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico grave e que deve ser tratado com seriedade, sendo causado pela exaustão extrema, nomeadamente associada à sobrecarga de trabalho. Embora qualquer profissão possa provocar este problema nos trabalhadores quando se chega a uma situação limite, determinadas ocupações são mais exigentes, deixando, por isso, os colaboradores mais suscetíveis a esta síndrome.
O setor das Tecnologias de Informação (TI), por exemplo, é um dos que está mais propenso ao excesso de carga de trabalho. Com o aumento da procura por soluções tecnológicas e com a pressão constante de inovação e necessidade de acompanhar a rápida evolução do setor, as empresas tecnológicas estão na linha da frente da adaptabilidade.
Espera-se que os colaboradores consigam cumprir prazos apertados e absorver mudanças constantes, tanto em termos de ferramentas tecnológicas como de projetos, o que pode resultar numa situação mental complicada.
A sobrecarga de trabalho e a possibilidade de um consequente burnout têm impacto tanto na saúde física, como mental dos colaboradores, desde a fadiga extrema até à ansiedade e à depressão. Estas consequências acabam, também, por se refletir de forma negativa na própria vida das organizações, com os colaboradores a apresentarem uma quebra nos níveis de produtividade e de qualidade do trabalho.
Assim, é responsabilidade das empresas desenvolverem estratégias de prevenção. A criação de políticas de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, como a flexibilidade de horários ou a opção de home office, é um dos métodos utilizados pelas organizações.
Deve também ser considerada a implementação de metodologias ágeis, que ajudem a gerir melhor a carga de trabalho, bem como de políticas de apoio psicológico e de bem-estar dentro das empresas, das quais podem fazer parte atividades como o yoga e a meditação, bem como workshops que desenvolvam novas competências.
Outro fator que pode facilmente ficar esquecido é o papel dos líderes e dos team managers nestas situações. Aqueles em cargos de chefia devem conseguir identificar sinais de sobrecarga e de burnout nas suas equipas e promover uma comunicação aberta e de proximidade.
Além disso, deve ainda ser desmistificada a cultura do “herói”, que glorifica aqueles que trabalham longas horas e salvam projetos à última da hora. Para contrariar isto, deve incentivar-se a desconexão nos momentos de pausa e de períodos de descanso, onde se pode (e deve) usufruir dos espaços de lazer das empresas.
Ainda que seja responsabilidade de cada um ter noção dos seus limites e da carga de trabalho que tem (e de que se sente capaz de ter), as organizações também têm um importante papel a desempenhar para evitar situações de work overload e de burnout, ao desenvolverem estratégias e mecanismos de prevenção.