Que lacuna identificaram no mercado que motivou a criação da Academia Doutor Finanças?
Durante anos, vimos uma realidade transversal: as pessoas são diariamente chamadas a tomar decisões financeiras importantes, mas não têm acesso a conhecimento claro, prático e orientado para a ação. Identificámos uma lacuna evidente entre as necessidades reais das famílias e aquilo que o mercado oferecia. E fomos contactados, muitas vezes, por empresas, entidades públicas e privadas e instituições de educação, para apoio na partilha de conhecimentos de literacia financeira.
O trabalho que desenvolvemos, durante vários anos, enquanto Doutor Finanças, junto de colaboradores de empresas e estudantes, mostrou que havia aqui uma falha grande, nomeadamente de falta de resposta e de apoio nestes temas. A Academia surge, precisamente, para preencher esse espaço: democratizar o conhecimento financeiro e transformá-lo numa competência acessível a todos, dentro e fora das empresas.
Como é que a formação em literacia financeira impacta diretamente o bem-estar dos colaboradores e os resultados das organizações?
Quando as pessoas ganham controlo sobre a sua vida financeira, reduzem o stress, sentem mais segurança e
começam a tomar decisões mais informadas. Este impacto não é abstrato, é mensurável. O estudo da PwC mostra que, em média, cada colaborador com problemas financeiros perde três horas por semana do seu horário de trabalho a lidar com preocupações financeiras pessoais. São três horas de menor foco, menor produtividade e maior desgaste emocional.
Numa empresa com 100 colaboradores, isso significa 300 horas perdidas por semana. Considerando o rendimento médio de 2025 (cerca de 9,37 euros/ por hora), estamos a falar de um custo direto aproximado de 146 mil euros por ano em perda de produtividade.
É precisamente aqui que a formação em literacia financeira faz a diferença: ao diminuir estas preocupações, liberta-se tempo, energia mental e capacidade de decisão. Equipas financeiramente tranquilas tornam-se mais disponíveis, mais criativas, com maior foco e maior compromisso com os resultados da organização. A formação financeira não é apenas um benefício, é uma ferramenta estratégica de bem-estar e produtividade.
Brisa, Bosch, grupo Pestana, JCDecaux, novobanco, Tranquilidade, Cofidis, Inditex, Autoeuropa, TAP e Innowave Technologies já recorreram à Academia Doutor Finanças
Saúde financeira e saúde mental: como é que esta relação se manifesta nas empresas?
A insegurança financeira é, hoje, uma das principais fontes de ansiedade. Nas empresas, isto traduz-se em preocupações constantes que interferem com a concentração, com a energia e com a capacidade de resposta. Quando um colaborador sente que não tem as suas finanças sob controlo, leva esse peso para o trabalho. Por isso, apoiar a saúde financeira é apoiar diretamente a saúde mental, e as empresas que compreendem esta ligação conseguem criar ambientes mais humanos, estáveis e equilibrados.
Que competências financeiras considera essenciais desenvolver nos colaboradores atualmente?
Hoje, é fundamental desenvolver competências práticas: saber gerir rendimento e despesa, interpretar produtos financeiros, compreender crédito e risco, planear objetivos, antecipar imprevistos e tomar decisões de longo prazo. Mas, tão importante quanto isto, é transformar conhecimento em ação concreta, aplicar no quotidiano aquilo que se aprende.
E é precisamente aqui que o Estudo do Bem-Estar Financeiro, que realizámos com a Laicos, é muito claro: o maior preditor do bem-estar financeiro não é o rendimento, não é o nível de escolaridade, é o comportamento. Ou seja, não basta saber, é preciso criar hábitos, mudar rotinas e desenvolver competências práticas que ajudem as pessoas a lidar com o dinheiro de forma consistente.
É por isso que investir na capacitação financeira dos colaboradores é tão relevante: não apenas informa, mas transforma. E organizações que ajudam as suas pessoas a desenvolver comportamentos financeiros saudáveis constroem equipas mais seguras, mais confiantes e mais preparadas para decidir melhor, dentro e fora do trabalho.
Que papel terá a literacia financeira nas políticas de talento e retenção?
A literacia financeira está a tornar-se um pilar estratégico das políticas de talento. As empresas começam a reconhecer que não se trata de um benefício acessório, mas de uma ferramenta com impacto direto na atração, motivação e retenção das pessoas. Quando a formação é prática, adaptada ao quotidiano e orientada para decisões reais, o engagement cresce de forma imediata: as pessoas percebem valor, sentem-se mais confiantes e incorporam o conhecimento no dia a dia.
Programas consistentes fortalecem a relação entre colaboradores e organização e criam ambientes mais estáveis, produtivos e humanos. É por isso que a Academia Doutor Finanças desenvolveu o FINUp, um programa estruturado, contínuo e mensurável, que apoia as empresas na construção de equipas financeiramente seguras, mais equilibradas e capazes de prosperar. É uma resposta concreta a um desafio real e um passo decisivo para organizações mais sustentáveis.
Academia Doutor Finanças
- Cerca de 50 mil formandos impactados
- 2000 horas de formação
- + de 600 empresas abrangidas
Artigo publicado na edição 163 da RHmagazine, referente aos meses de março e abril de 2026
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