Numa altura em que a guerra pelo talento se intensifica e as expetativas dos trabalhadores mudam mais depressa do que muitas empresas conseguem acompanhar, impõe-se a pergunta: como será a compensação em 2026? Foi para dar resposta a esta questão que o IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos promoveu recentemente o webinar “Prepare-se para o futuro da compensação! Descubra as tendências para 2026 em benefícios flexíveis”, com o apoio da Coverflex.
A conversa, moderada por Vanessa Henriques, CEO do IIRH – Instituto de Informação em Recursos Humanos, reuniu Inês Odila, Country Manager da Coverflex Portugal; Filipa Xavier de Basto, Co-Founder do Grupo Your; e Nuno Brito, Director de Processos, Remuneração e Benefícios da Auchan Retail Portugal. Os intervenientes traçaram um retrato claro: a compensação está a entrar numa nova era mais flexível, tecnológica e personalizada.
Do lado da Coverflex, Inês Odila começou por referir que o mercado está sob “uma pressão crescente para diferenciar os pacotes de compensação“. O exemplo do ginásio, recordou, é paradigmático: “Há dez anos era uma vantagem altamente valorizada. Hoje já não responde à diversidade das equipas”. “As empresas já não conseguem trabalhar pacotes iguais para toda a gente.”
A ascensão da hiperpersonalização
Para a responsável, estamos a caminhar para a hiperpersonalização. E esse caminho só é possível com tecnologia. “Em dois cliques, tomo opções de acordo com as minhas necessidades”, disse, sublinhando que a automação eliminou barreiras que antes impossibilitavam a personalização em larga escala. Além disso, o impacto é mensurável em tempo real: “Consigo ver quanto poupei assim que uso um benefício”.
Já Filipa Xavier de Basto sublinhou que esta transformação não resulta apenas de tendências tecnológicas, mas de uma mudança nas expetativas das pessoas. “Os colaboradores estão muito mais exigentes”, afirmou. Face à necessidade de crescer rapidamente, o Grupo Your redesenhou todo o modelo de carreira e criou uma plataforma gamificada onde cada colaborador responde à pergunta “qual é o teu sonho?”. Desta dinâmica surgem recompensas tão distintas como viagens, um carro ou “liquidez imediata”, que se revelou um dos benefícios mais valorizados.
O impacto foi imediato: “As pessoas tornam-se muito mais atentas às necessidades dos nossos clientes”, explicou. “Toda a nossa política salarial e de evolução de carreira está construída numa escuta bastante ativa dos nossos recursos.”
O desafio das microempresas
No entanto, trouxe também um alerta sobre a realidade portuguesa. “94% do tecido empresarial são microentidades”, lembrou, o que significa que grande parte das empresas continua presa a modelos tradicionais e condicionada pela fiscalidade.
Nuno Brito explicou como a Auchan tem equilibrado remuneração tradicional com novas formas de compensação flexível. A base, garantiu, está nos valores da empresa – confiança, abertura e excelência – e no EVP, que se refletem em transparência e meritocracia: bandas salariais claras, acessíveis a todos na plataforma interna, e progressão determinada pela avaliação de desempenho com metodologia Ninebox e processos de calibração que asseguram equidade.
Sobre os benefícios, revelou a evolução estruturada em quatro grandes clusters – saúde e bem-estar, experiência do colaborador, mobilidade e flexibilidade e formação – que já incorporam elementos de personalização. Destacou iniciativas como descontos, dias adicionais de férias por assiduidade e possibilidade de trabalhar na loja mais próxima da residência. No cluster flexível, a formação assume um papel central, permitindo canalizar prémios para pós-graduações, MBAs ou especializações sem incidência fiscal. Nuno anunciou ainda um processo em curso para selecionar um parceiro de benefícios flexíveis, preparando o próximo passo: “Uma integração plena deste modelo”.
Para Inês Odila, a comunicação e a escuta ativa são tão importantes quanto a tecnologia: “Não basta implementar processos; muitas vezes estamos a implementar novos comportamentos”. Já Nuno Brito entende que o essencial é o alinhamento: “O primeiro passo é ter essa vontade. Explorar, ver como faz sentido em alinhamento com a estratégia, a visão e os valores”. E, para Filipa Xavier de Basto, o desafio está em equilibrar custo, uso e valorização, num contexto em que os colaboradores querem experiências personalizadas, mas as empresas enfrentam limitações.
Assista ao webinar em: https://www.youtube.com/live/9YNZUctZswU
O próximo webinar – Como sair do tradicional e adotar benefícios flexíveis com sucesso? Um guia prático para líderes de RH – realiza-se a 4 de dezembro. Inscreva-se aqui!
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