Que opções na gestão de pessoas explicam a continuidade do Lidl como Top Employer?
A nossa distinção pelo quinto ano consecutivo – e este ano com um motivo de orgulho acrescido, por termos alcançado a classificação mais elevada da história do Lidl Portugal – valida o caminho que temos construído. Esta consistência estratégica baseia-se numa cultura de continuidade, no compromisso de valorização das nossas pessoas e na criação de um ambiente de trabalho estruturado, inclusivo e orientado para o desenvolvimento de talento.
O facto de termos recebido também o selo “Enterprise”, que reconhece a transversalidade das nossas práticas a nível global, reforça que a valorização dos colaboradores faz parte do ADN do Lidl. A nossa prioridade é, e continuará a ser, garantir que quem trabalha connosco se sente respeitado e integrado.
O que distingue hoje a proposta de valor do Lidl para atrair e reter talento?
A nossa prioridade tem sido garantir uma proposta de valor sólida desde o primeiro dia. Não oferecemos apenas um emprego; oferecemos um percurso onde a formação é constante e a meritocracia funciona. Para nós, uma carreira de futuro constrói-se garantindo que quem chega se sente acolhido e dispõe, desde o início, das ferramentas certas para evoluir.
Um pilar fundamental desta estratégia é a clareza: os nossos colaboradores têm objetivos de desenvolvimento definidos. Isto garante que todos sabem exatamente o que se espera de si, criando as condições necessárias para oportunidades reais de crescimento e progressão, porque, quando o Lidl cresce, os nossos colaboradores crescem connosco.
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Que áreas exigem maior investimento em atração e desenvolvimento de pessoas?
Olhamos para a atração das pessoas certas e para o onboarding como alicerces, assegurando que quem chega se sente integrado na cultura da empresa através de um processo de acolhimento robusto. Além disso, a nossa dimensão – com cerca de 382 mil colaboradores a nível global e mais de oito mil em Portugal – permite-nos oferecer oportunidades reais de mobilidade, desenvolvimento contínuo e crescimento, onde a promoção interna é uma realidade frequente.
O setor do retalho exige uma adaptação rápida e uma consistência que resista ao tempo e às oscilações do mercado. O desafio passa por manter uma dinâmica de evolução, preservando a transversalidade das nossas práticas.
Como garantem, na prática, a experiência prometida pela marca empregadora?
Garantimos essa coerência transformando a nossa promessa em processos claros e mensuráveis. Assegurando que não se trata de ações isoladas, mas de uma cultura de continuidade. Desde o recrutamento, quem se junta a nós encontra um plano claro para a sua inserção na equipa, garantindo o acesso imediato às ferramentas
necessárias para evoluir.
No que toca à progressão, não oferecemos apenas formação pontual, mas um percurso contínuo onde a meritocracia é o motor da promoção interna. Por fim, no bem-estar, a experiência materializa-se em
programas estruturados, como o seguro de saúde ou o projeto “Cuidamos de Ti”, que apoia os colaboradores e o agregado familiar direto no esclarecimento de dúvidas e na superação de desafios pessoais. Desta forma,
asseguramos um ambiente de trabalho inclusivo e orientado para as pessoas.
Que indicadores usam para medir o impacto das práticas de RH nas equipas?
Utilizamos uma combinação de indicadores operacionais e de escuta ativa. Sabemos que o sucesso da operação diária e a experiência positiva dos clientes dependem diretamente do empenho das equipas. Para medir esta motivação de forma rigorosa, realizamos a avaliação de clima organizacional com periodicidade trimestral. Estas ferramentas permitem-nos monitorizar o “pulso” da organização e agir rapidamente para garantir que continuamos no caminho certo.
Que desafios persistem na gestão de pessoas num setor exigente como o retalho?
O sucesso do Lidl em Portugal não se deve apenas à qualidade dos produtos, mas à excelência da operação diária assegurada pelas equipas. Quando investimos no bem-estar, na formação e satisfação, isso reflete-se no serviço em loja, na eficiência logística e na inovação.
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Existe uma estreita articulação da estratégia de gestão de pessoas com os objetivos corporativos: se a equipa está motivada, esse entusiasmo transparece na experiência de compra. O nosso crescimento é o retorno do investimento diário nas nossas pessoas. Não damos o trabalho por concluído; o nosso foco mantém-se em oferecer um ambiente estruturado e de excelência para quem trabalha connosco.
- Clima organizacional avaliado trimestralmente
- 382.000 colaboradores a nível global (+ de 8.000 em Portugal)
- 100% abrangidos por programas de bem-estar
- 100% com avaliação de desempenho e objetivos definidos
Artigo publicado na edição 162 da RHmagazine, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2026
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Exmos. Senhores,
Venho por este meio partilhar algumas preocupações relativamente às condições reais de trabalho vividas em lojas do Lidl em Portugal, empresa que tem sido distinguida com a certificação Top Employer.
Tendo em conta que esta certificação avalia áreas como o ambiente de trabalho, o bem-estar dos colaboradores, as práticas de gestão de pessoas e o desenvolvimento de talento, considero importante que também seja conhecida a realidade que muitos trabalhadores relatam no terreno.
Em várias lojas verifica-se uma pressão operacional muito elevada, com equipas frequentemente reduzidas face à quantidade de trabalho exigido. São definidos tempos de execução considerados por muitos colaboradores como irrealistas, incluindo objetivos de reposição de mercadoria com prazos muito curtos, mesmo quando não existe pessoal suficiente para cumprir essas metas.
Apesar dessas limitações, a orientação transmitida às equipas é que todas as tarefas têm de ficar concluídas rapidamente e com qualidade. Como consequência, torna-se comum que chefias e colaboradores permaneçam além do horário previsto para conseguir finalizar o trabalho diário.
Outro ponto frequentemente referido prende-se com a desigualdade na distribuição de horários e folgas entre algumas chefias, bem como situações percecionadas como favoritismo dentro das equipas. Em certos contextos surgem também ambientes de trabalho marcados por pressão constante sobre o ritmo de trabalho e críticas frequentes entre colegas.
Existem ainda relatos de orientações e exigências por parte de níveis superiores de gestão que nem sempre têm em conta a realidade do número de colaboradores disponíveis nas lojas, o que aumenta ainda mais a pressão sobre as equipas locais.
Como resultado destas situações, tem-se verificado um desgaste físico e psicológico crescente entre trabalhadores, bem como uma elevada rotatividade de colaboradores nas lojas. Muitos profissionais acabam por sair devido à intensidade do trabalho e às condições vividas diariamente. Mesmo entre chefias de secção existe um nível significativo de desmotivação, havendo casos de profissionais que ponderam abandonar a função ou regressar à posição de vendedor.
Tendo em conta que a certificação Top Employer pretende reconhecer empresas com boas práticas na gestão de pessoas e no ambiente de trabalho, considero importante que estas realidades também possam ser consideradas para garantir uma avaliação completa.
Com os melhores cumprimentos,