Numa altura em que a Nestlé atravessa uma profunda transformação global, é em Portugal que uma parte desse futuro está a ser construída. No centro de Lisboa, o Nestlé Business Services (NBS) tornou-se um dos motores desta mudança, reunindo cerca de mil profissionais que operam como “um verdadeiro hub de talento para o Grupo Nestlé”, como realça Ana Fagulha, HR Manager na NBS, em entrevista à RHmagazine.
“As mudanças globais reforçam o papel estratégico de RH, que atua como facilitador da transformação”, sublinha. No NBS, essa evolução traduz-se numa aposta em equipas com “fortes competências digitais”, preparadas para explorar o potencial tecnológico e responder às exigências crescentes do negócio. E é este alinhamento entre talento, tecnologia e visão que tem consolidado o centro português como uma peça-chave no futuro global da Nestlé.
A Nestlé vive uma fase de grande transformação global, com medidas de reestruturação anunciadas recentemente. Que impacto têm estas mudanças no trabalho do departamento de recursos humanos (RH) e no ambiente interno da empresa?
A NBS tem crescido de forma sustentada. Conta, atualmente, com cerca de mil colaboradores e representa um verdadeiro hub de talento para o Grupo Nestlé. Temos apostado na criação de equipas com fortes competências digitais, capazes de maximizar o potencial da tecnologia e, assim, garantir serviços de excelência para todo o grupo.
As mudanças globais reforçam o papel estratégico de RH, que atua como facilitador da transformação. A nossa missão é criar um ambiente de confiança e transparência, e garantir que as equipas se sentem apoiadas. Trabalhamos para alinhar as necessidades do negócio com o desenvolvimento das pessoas, promovendo uma comunicação clara. Este contexto de evolução contínua reforça a importância de uma cultura interna que valoriza a adaptabilidade, a formação incluindo reskilling e upskilling, a inovação e o desenvolvimento contínuo, pilares que orientam o nosso trabalho em RH e que contribuem para um ambiente dinâmico e colaborativo.
Em tempos de mudança e incerteza, reter talento torna-se um desafio ainda maior. Que estratégias têm ajudado a manter o compromisso e a motivação das equipas?
Manter o compromisso e a motivação das equipas exige uma abordagem centrada nas pessoas. Na Nestlé Business Services, a retenção baseia-se em três pilares: desenvolvimento contínuo, reconhecimento e flexibilidade. Apostamos em programas de aprendizagem personalizados, oportunidades de mobilidade interna e práticas de liderança que promovem inclusão e bem-estar.
Além disso, reforçamos a escuta ativa e o feedback, criando um ambiente onde cada colaborador sente que contribui para um propósito maior. Estas estratégias combinadas são fundamentais para manter as equipas comprometidas.
Como se mantém uma cultura organizacional forte quando as equipas estão dispersas por vários países?
Manter uma cultura organizacional forte num contexto internacional exige foco e consistência. É fundamental garantir que os valores da organização são vividos e comunicados de forma clara, independentemente da localização geográfica, a começar pelos nossos líderes, que representam esses valores no dia-a-dia, através de comportamentos concretos. Na NBS, a comunicação regular e transparente, através de canais digitais eficazes, ajuda a criar um sentimento de proximidade e alinhamento.
“A tecnologia é um acelerador, mas as pessoas continuam a ser o centro da transformação.”
É igualmente essencial promover momentos de conexão entre as equipas de diferentes países, seja através de projetos colaborativos, eventos virtuais ou encontros presenciais, sempre que possível. A valorização da diversidade cultural, aliada a uma visão comum, enriquece a cultura e reforça o sentimento de pertença.
Por fim, reconhecer e celebrar conquistas locais dentro de uma narrativa global contribui para que todos se sintam parte de algo maior, como é a organização da NBS que conta com sete centros de serviço em todo o mundo e mais de oito mil colaboradores.
De que forma é que o investimento em tecnologia pode coexistir com o foco no desenvolvimento humano?
A tecnologia é um acelerador, mas as pessoas continuam a ser o centro da transformação. A automatização liberta tempo para atividades de maior valor, enquanto o investimento em competências digitais e comportamentais assegura que são as Pessoas que lideram a mudança.
Na NBS combinamos a inovação tecnológica com programas de desenvolvimento, promovendo a adaptabilidade e a aprendizagem contínua, permitindo-nos ser uma empresa extremamente dinâmica, com acesso a tecnologias digitais que colocamos ao serviço das pessoas, das marcas e dos produtos da Nestlé. O acesso a este tipo de tecnologia é um dos fatores de sucesso e principais atrativos da NBS, onde os colaboradores podem ter em primeira mão as ferramentas mais recentes disponíveis no setor.
A transformação tecnológica traz também o desafio da requalificação. Que novas competências serão essenciais para os profissionais – líderes e equipas – acompanharem esta mudança?
As competências digitais, o pensamento crítico e a adaptabilidade serão competências essenciais. Acrescentamos ainda competências sociais e emocionais. Estas capacidades permitem que os líderes e as equipas respondam com agilidade às exigências tecnológicas e culturais do futuro. Na NBS, apostamos na formação contínua das nossas pessoas.
Em áreas como a inteligência artificial (IA), a velocidade da transformação é incomparavelmente mais alta do que noutras áreas mais tradicionais, o que significa que as nossas pessoas são constantemente desafiadas a manterem-se permanentemente atualizadas.
Portugal tem ganho destaque como hub de talento dentro da Nestlé. Que fatores explicam esta relevância e que contributo traz o centro nacional para as operações globais?
Portugal destaca-se pela combinação de competências técnicas, proficiência digital e capacidade de trabalhar em ambientes multiculturais, elementos que decorrem da qualidade do nosso ensino e da nossa apetência natural para conviver com outras pessoas e com outras culturas. O nosso centro NBS em Portugal contribui para projetos globais em áreas como serviços partilhados, digitalização e inovação, reforçando a competitividade e a eficiência da Nestlé a nível mundial.
Este é também um importante fator de atratividade e de sucesso da nossa empresa, uma vez que permite aos Colaboradores a participação em iniciativas e projetos absolutamente pioneiros a uma escala global.
Olhando para o futuro, que tendências vão marcar a gestão de pessoas nesta nova fase da Nestlé?
As principais tendências incluem a integração da IA nos processos de RH, a personalização da experiência do colaborador, e a valorização da diversidade e inclusão. A gestão de pessoas será cada vez mais orientada por dados, com um foco claro no desenvolvimento de competências e na criação de ambientes de trabalho saudáveis e colaborativos.
Também na NBS estamos a trabalhar nessa área, no sentido de, através dos dados que recolhemos e tratamos, contribuirmos para facilitar os processos de gestão de RH, tornando-os mais simples e mais eficientes.
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