Por Fábio Miguel Rodrigues, PwC’s Academy Senior Executive
No passado dia 16 de abril de 2026, a PwC’s Academy, em parceria com a IE University e o IIRH como media partner, reuniu profissionais de Learning & Development, Academias Corporativas e Recursos Humanos no 3.º Fórum de Learning & Development. Esta edição teve como tema central Culture of High Performance, colocando o foco no papel estratégico do L&D na construção de culturas de desempenho sustentáveis, orientadas a resultados e centradas nas pessoas.
Num contexto marcado por elevada pressão organizacional, rápida evolução tecnológica e escassez de competências críticas, o Fórum afirmou-se como um espaço de reflexão e partilha, reunindo líderes, especialistas e responsáveis de L&D em torno de um desafio comum: alinhar aprendizagem, performance e talento de forma integrada e com impacto real no negócio.
Da academia ao ecossistema de aprendizagem
A abertura do Fórum esteve a cargo de Catarina João Morgado, PwC’s Academy Director, que apresentou uma leitura evolutiva das academias corporativas com foco grandes tendências atuais. Da formação isolada e reativa à construção de verdadeiros ecossistemas de aprendizagem, performance, carreira e talento, ficou clara a mudança profunda no papel do L&D nas organizações e nos seus negócios.
Segundo dados partilhados, apenas 36% das organizações atingiram hoje este nível de maturidade, em que a aprendizagem está diretamente ligada à performance e às decisões estratégicas de talento. Este cenário reforça a necessidade dos profissionais de L&D se posicionarem como verdadeiros consultores do negócio, capazes de diagnosticar necessidades, desenhar soluções relevantes e medir impacto.
Ao longo da sua intervenção, Catarina Morgado desenvolveu ainda o conceito de Cultura de Alto Desempenho. Longe de significar pressão constante ou intensidade permanente, uma cultura de high performance assenta em sistemas bem desenhados, que combinam elevadas expectativas com elevados níveis de suporte organizacional.
Ficou também claro que a aprendizagem organizacional encontra-se, hoje, num claro ponto de viragem. Dados partilhados indicam que 79% dos CEO identificam a falta de competências como uma ameaça direta ao crescimento dos seus negócios, o que coloca o desenvolvimento de pessoas no centro das decisões estratégicas. Não se trata apenas de aprender mais, mas de aprender ao ritmo e ao nível que a performance exige. Este equilíbrio entre cultura de aprendizagem e cultura de performance foi um dos eixos estruturantes da reflexão ao longo desta manhã.
More. Better. Now.
Seguiu-se a reflexão trazida pelo Professor Sergey Gorbatov, da IE University, em torno do modelo More. Better. Now (MBN), que propõe uma nova lógica para a liderança e gestão de talento num contexto de mercados cada vez mais assimétricos.
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Num cenário marcado pela aceleração tecnológica e pela integração da inteligência artificial no trabalho diário, o Professor Gorbatov destacou que estratégias de talento indiferenciadas já não são apenas ineficazes – são estrategicamente negligentes. O mercado de trabalho está a dividir-se entre funções amplificadas pela IA, funções profundamente reconfiguradas e outras progressivamente substituídas, o que exige escolhas conscientes sobre onde investir mais, onde desenvolver melhor e onde agir agora.
O modelo proposto como um instrumento de diagnóstico e decisão, ajudando líderes e profissionais de L&D a equilibrar três tensões críticas: diferenciação e inclusão, profundidade técnica e versatilidade, desafio e compaixão. Mais do que um framework estático, trata-se de uma lente estratégica que reforça o papel do L&D como mediador entre estratégia, liderança e resultados sustentáveis.
Casos práticos: da estratégia à execução
A discussão desenvolvida ao longo do Fórum traduziu-se nos casos práticos apresentados, que ilustraram diferentes formas de alinhar aprendizagem, desempenho e liderança em contextos organizacionais distintos, mas marcados por desafios comuns.
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Do Grupo Casais, Inês Faria partilhou a experiência da organização na implementação de uma Arquitetura de Talento assente em competências, sublinhando o seu papel enquanto infraestrutura transversal a todo o ciclo de gestão de pessoas – da atração ao desenvolvimento, passando pela mobilidade e progressão. A ligação entre competências, aprendizagem e contexto real de trabalho reforçou a ideia de que o desenvolvimento só gera impacto quando está integrado nas decisões operacionais e de carreira.
Em representação da PwC Portugal, Alexia de Andrade apresentou a abordagem da organização à construção de uma Culture of High Performance, destacando o papel do feedback contínuo e multidirecional como mecanismo central de aprendizagem, alinhamento e desenvolvimento. A partilha evidenciou como a promoção da segurança psicológica, aliada a práticas consistentes de feedback, permite reforçar a clareza comportamental, acelerar ciclos de aprendizagem e tornar o desempenho mais sustentável ao longo do tempo.
Já o novobanco, através da intervenção de Carla Relvas, apresentou a construção do seu Ecossistema de Aprendizagem em Competências Digitais, com particular enfoque na literacia em Inteligência Artificial e na adoção do Copilot. Este caso demonstrou como o L&D pode assumir um papel ativo na transformação digital, combinando desenvolvimento de competências, adoção tecnológica e foco em resultados mensuráveis para o negócio.
Reflexões finais: muito mais do que formação
O 3.º Fórum de Learning & Development deixou uma mensagem clara: culturas de alto desempenho não nascem da pressão nem de iniciativas isoladas, mas de sistemas que ligam aprendizagem, liderança e performance de forma consistente ao longo do tempo.
Se assim é, então o papel do L&D também tem de mudar. Já não basta entregar formação ou responder a pedidos do negócio. O L&D é chamado a desenhar práticas, rotinas e escolhas que sustentem o desenvolvimento das pessoas e tornem a performance sustentável. Mais do que desenvolver competências individuais, o desafio está em construir capacidade coletiva e ajudar as organizações a aprender e a evoluir num contexto de mudança permanente.
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