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área de L&D atravessa um dos momentos mais disruptivos das últimas décadas. O estudo Global Sentiment Survey 2026, conduzido por Donald H. Taylor, revela um setor sob pressão crescente, onde a IA deixou de ser uma tendência emergente para se tornar um fator determinante, ainda sem regras estabilizadas.
Na sua 13.ª edição, o relatório reuniu 3.797 profissionais de 105 países, afirmando-se como um dos principais barómetros globais do setor. O cenário traçado é inequívoco: os profissionais de L&D operam hoje num contexto de incerteza, sem referências sólidas e com dificuldade em antecipar o que vem a seguir. O estudo aponta para uma quebra dos padrões tradicionais, sem que exista ainda um novo modelo consolidado.
Mudança de foco?
A IA (22,5%) continua a ser a principal prioridade no L&D. Ainda assim, regista uma ligeira quebra face ao ano anterior. Mais do que uma descida, este movimento poderá indicar uma mudança de fase, em que a IA deixa de ser novidade para passar a integrar o di a dia das organizações.
O foco começa a deslocar-se da tecnologia em si para a sua aplicação prática. A personalização da aprendizagem mantém uma trajetória de crescimento, enquanto a analítica perde relevância de forma significativa. Este movimento sugere que o L&D está a integrar a IA, mas de forma ainda seletiva e, em alguns casos, limitada ao que já fazia anteriormente.
Demonstrar valor ou sobreviver?
Entre todas as tendências, a necessidade de demonstrar valor ganha destaque. A pressão para evidenciar impacto real no negócio está a intensificar-se, ultrapassando a lógica tradicional de métricas como taxas de conclusão.
Os profissionais reconhecem a dificuldade em provar que a aprendizagem contribui diretamente para o desempenho e resultados organizacionais, especialmente num contexto de mudança acelerada. Mas o reforço desta tendência levanta uma dúvida adicional: trata-se de uma maior capacidade de demonstrar impacto ou de um reflexo do receio crescente quanto à relevância da função?
Cinco desafios que estão a redefinir o L&D
O estudo identifica uma mão cheia de desafios globais:
- Integração da IA;
- Demonstração de valor;
- Restrições orçamentais;
- Baixo envolvimento dos colaboradores;
- Incerteza sobre o papel do L&D.
A pressão financeira é evidente. O conceito de “fazer mais com menos” domina o discurso dos profissionais, refletindo cortes orçamentais, redução de equipas e aumento de expectativas por parte das organizações.
A relação com a IA é contraditória. Por um lado, há entusiasmo pelas possibilidades de personalização e eficiência. Por outro, surgem preocupações com:
- Excesso de ferramentas;
- Qualidade do conteúdo gerado;
- Riscos éticos;
- Perda de controlo e de pensamento crítico.
O desafio passa por encontrar equilíbrio entre inovação e qualidade, evitando que a tecnologia comprometa a eficácia da aprendizagem.
Engagement continua a ser ponto fraco
Apesar da evolução dos formatos, com aposta em conteúdos mais curtos e flexíveis, o envolvimento dos colaboradores mantém-se baixo. Fatores como falta de tempo, baixa prioridade dada à aprendizagem e dificuldade em aplicar competências no contexto real continuam a limitar o impacto das iniciativas de L&D.
O resultado é um ciclo difícil de quebrar: baixo engagement dificulta a demonstração de valor, aumentando ainda mais a pressão sobre a função.
Função em redefinição
O estudo revela ainda que o L&D está a expandir o seu papel, assumindo responsabilidades em áreas como:
- Desenvolvimento de capacidades organizacionais;
- Cultura e transformação;
- Coaching e mentoring.
No entanto, esta evolução não é acompanhada por um reconhecimento claro dentro das organizações. Muitos profissionais expressam preocupação com a relevância futura da função e até com a segurança do emprego.
“Novo Mundo” sem regras estáveis
O relatório descreve a fase atual como um “Novo Mundo”, marcado pela imprevisibilidade. Os padrões históricos deixaram de servir como referência e o comportamento das tendências tornou-se irregular.
Contudo, há sinais positivos. Os profissionais integram IA no dia a dia, utilizam mais dados e repensam modelos de aprendizagem. O problema é que esse progresso acontece com um aumento da pressão.
Os níveis de tensão sobre os profissionais de L&D estão a crescer, regressando a valores semelhantes aos registados durante a pandemia. Paralelamente, emerge uma nova preocupação: preservar o elemento humano num contexto cada vez mais tecnológico. A questão deixa de ser apenas operacional e passa a ser identitária.
O L&D entrou num período de transformação profunda, comparável a outras revoluções tecnológicas. O objetivo é alinhar aprendizagem com desempenho organizacional, mas o caminho permanece indefinido. Neste contexto, a adaptação contínua torna-se essencial. E, apesar da incerteza, há um sinal positivo: a função está em movimento e a responder aos desafios.
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