Quanto mais a inteligência artificial (IA) entra nas empresas, mais as organizações parecem valorizar aquilo que as máquinas continuam sem conseguir substituir, como a empatia, a liderança, o discernimento ou a capacidade de decisão. A conclusão surge num novo estudo da International Workplace Group (IWG), que aponta para o aparecimento de uma nova “economia de competências humanas”.
Segundo a IWG, 90% dos responsáveis de recursos humanos (RH) alertam que desvalorizar competências humanas pode travar a inovação nas empresas. Ao mesmo tempo, 66% admitem que estas capacidades já têm mais influência nas decisões de recrutamento do que experiência anterior, competências técnicas ou habilitações académicas.
A transformação tecnológica em curso ajuda a perceber porque é que as competências humanas ganharam um novo peso dentro das organizações. Os dados do estudo mostram que 73% das equipas híbridas recorrem já a ferramentas como o ChatGPT, enquanto 82% das empresas investem em formação em IA.
Ainda assim, a adaptação das empresas à nova realidade tecnológica continua a levantar dificuldades. Segundo o estudo, apenas 45% dos líderes acreditam que as organizações estão efetivamente a conseguir reduzir o défice de competências necessário para acompanhar a adoção da IA.
O que a IA continua sem conseguir substituir
Apesar da aceleração tecnológica, há áreas onde os líderes de RH continuam a ver uma fronteira entre aquilo que pode ser automatizado e aquilo que permanece humano. Segundo o estudo, 65% afirmam que a IA nunca conseguirá replicar a empatia, 64% dizem que a tecnologia continua aquém na tomada de decisões complexas e 53% acreditam que a liderança continuará a ser exclusivamente humana.
Se há áreas onde os líderes continuam a confiar na intervenção humana, há outras onde as certezas começam a desaparecer. A criatividade surge entre elas. Só 40% dos inquiridos acreditam que continuará fora do alcance da IA.
O estudo mostra também que as empresas começam a olhar para o desempenho de forma diferente. À medida que a IA assume tarefas mais técnicas e repetitivas, cresce a valorização daquilo que continua dependente da intervenção humana, como a capacidade de decisão, a colaboração, a mentoria e a liderança.
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Geração Z acelera adoção da IA
A transformação está também a alterar a dinâmica entre gerações dentro das organizações. A IWG refere que quase dois terços dos trabalhadores mais jovens ajudam colegas mais velhos na adoção de ferramentas de IA, através de apoio técnico direto e na integração destas soluções nos fluxos de trabalho.
O estudo alerta que o verdadeiro fator diferenciador passa agora pela “literacia em IA”. Ou seja, a capacidade de utilizar estas ferramentas de forma prática, crítica e integrada no trabalho diário. A pressão sobre os candidatos está igualmente a aumentar. Uma investigação da Randstad e do Institute of Student Employers, citada no estudo da IWG, mostra que as vagas de nível inicial caíram 29% a nível global entre janeiro de 2024 e o final de 2025.
O trabalho híbrido surge como um dos contextos mais favoráveis ao desenvolvimento das competências mencionadas pela investigação da IWG. Mais de metade (55%) dos líderes de RH considera que os ambientes híbridos são mais eficazes para desenvolver empatia, discernimento e capacidades de liderança. A proximidade, a colaboração e a confiança continuam a surgir como elementos fundamentais na construção de equipas mais adaptáveis e resilientes.
Citado no estudo, Mark Dixon, CEO e fundador da IWG, sublinha que “todas as grandes transformações tecnológicas redefiniram a forma como trabalhamos, desde o surgimento da Internet ao e-mail e aos smartphones. A IA não é diferente”. “O que distingue este momento é a velocidade e escala da mudança. Algumas funções irão evoluir ou desaparecer, enquanto outras totalmente novas irão surgir. Como sempre, as organizações que resistirem à transformação ficarão para trás. A verdadeira vantagem estará nas empresas que consigam combinar a eficiência da IA com as competências exclusivamente humanas que impulsionam inovação, liderança e crescimento.”
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